O presidente Lula lamentou que as medidas do Acordo de Paris não foram suficientes para impedir o aumento da temperatura média do planeta a níveis críticos. A afirmação foi feita nesta sexta-feira (7) durante a Cúpula do Clima em Belém do Pará, diante de presidentes e líderes de mais de 100 países, na abertura de uma mesa temática que trata justamente do Acordo assinado há dez anos, como resultado da COP21.![]()
Apesar das medidas acordadas entre os países signatários, a temperatura média do planeta segue crescendo a cada ano. Por isso, o presidente brasileiro afirmou que as nações não estão fazendo o melhor possível para conter a crise climática, e defendeu que o Acordo de Paris seja atualizado com novas medidas.
“No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade.”
Uma das medidas adicionais que o presidente Lula propôs para combater a crise climática é cobrar dos mais ricos a responsabilidade pelo aquecimento do planeta.
“Segundo o Oxford, um indivíduo pertencente ao 0,1% mais rico do planeta emite, em um único dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante o ano inteiro. É legítimo exigir dessas pessoas uma maior contribuição. O imposto mínimo sobre as corporações multinacionais e a tributação do patrimônio de super-ricos podem gerar recursos valiosos para a ação climática.”
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a fotografia oficial da Cúpula do Clima (COP30). Parque da Cidade – Belém (PA) Foto: Ricardo Stuckert / PR – Ricardo Stuckert
Lula também criticou a forma como o financiamento climático é feito atualmente, que reforça a lógica de enriquecimento dos países desenvolvidos enquanto aumenta a dívida dos países em desenvolvimento.
“A maioria dos recursos ainda é oferecida sob forma de empréstimo. Não faz sentido – ético ou prático – demandar a países em desenvolvimento que paguem juros para combater o aquecimento global e fazer frente a seus efeitos. Isso representa um financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte global. Instrumento de troca de dívida por ações climáticas já se provaram viáveis. O enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, não como um gasto.”
Defesa do multilateralismo
Ao propor a ampliação do Acordo de Paris para tornar mais eficiente o enfrentamento à crise climática, o presidente Lula disse ainda que a Terra é uma só, e defendeu que só há salvação para o planeta dentro do multilateralismo, com esforço coletivo de todos os países para o bem de todos.