O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, a chamada partiu do mandatário brasileiro, durou cerca de uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom “amistoso e cordial”.
De acordo com a nota oficial emitida pelo governo brasileiro, Lula enfatizou que as alegações utilizadas pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas impostas sobre os produtos do país — que chegam a até 37,5% — são “infundadas”. Entre os argumentos rebatidos pelo presidente brasileiro estão desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, o sistema Pix, etanol e supostas importações de produtos fabricados com trabalho forçado.
Proposta de reunião e Lei da Reciprocidade
Durante o telefonema, Trump concordou com a necessidade de preservar os fortes vínculos comerciais entre os dois países e acolheu a proposta de que equipes técnicas dos dois governos voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.
A iniciativa da ligação por parte de Lula ocorreu logo após a abertura, na semana passada, de um processo pelo governo brasileiro para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.
Em julho, a administração Trump havia adotado uma tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras, o que motivou a reação de Brasília. A abertura do processo no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex) não significa uma retaliação imediata, mas dá início a uma fase de análise e consultas públicas e privadas antes de uma eventual definição de contramedidas.
Crime organizado e cenários internacionais
Ao longo da conversa, Lula reiterou o interesse do Brasil em manter a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. O presidente argumentou que “grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”. A declaração refere-se à recente decisão de Washington de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas — medida que Lula já havia criticado anteriormente, classificando-a como “desaforo”.
Por fim, os dois presidentes trocaram impressões sobre os principais cenários globais e concordaram com a urgência de se encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos.