Só R$ 2,9 milhões para Juiz de Fora e quase R$ 10 milhões para escola de samba que homenageou Lula?

A pergunta que não quer calar, apenas R$ 2,9 milhões para atuar em defesa dos problemas ocasionados pelas fortes chuvas que destruiu vários imóveis e já matou mais de 70 pessoas em Minas Gerais, enquanto só uma escola de samba do Rio de Janeiro recebeu quase R$ 10 milhões para homenagear o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva?

 

Em meio aos contrastes da vida real, o Carnaval, conhecido como a festa da carne, conforme dicionário (“retirar a carne” ou “adeus à carne”), ganha mais relevância do que qualquer desastre da natureza em épocas marcantes pela chuva em todo o país.

 

Até seria cômico, se não fosse trágico o momento de início do ano, marcado pelas manifestações populares, espalhados por todo o Brasil com marchinhas, gritos, pulos e muito trios elétricos envolvendo multidões. Também neste início de ano há de se falar a respeito das fortes chuvas, inundações, enchentes, alagamentos, destruição, vidas e muita desolação.

 

O presidente, chefe maior de Estado, deveria ver com mais atenção outras áreas tão importantes como é o Carnaval, haja vista que na festa da carne, a Escola de Samba do Rio de Janeiro, Acadêmicos de Niterói recebeu dos cofres públicos para desfilar no Grupo Especial R$ 9,6 milhões, uma dinheirada que poderia muito bem ser aplicada em outras causas, talvez até mais importante do que o Carnaval.

 

O presidente Lula que usou dinheiro público para se projetar, haja vista os 12 pedidos de investigação no TSE, injetou boa parte desse valor na escola que o homenageou: a Acadêmicos de Niterói que recebeu um bom dinheiro de verba pública para realizar seu desfile na Marquês de Sapucaí (passarela do Samba). Os pagamentos vieram da Prefeitura de Niterói (RJ), do governo do Estado do Rio de Janeiro, do governo Federal, por meio da Embratur, e da Prefeitura do Rio de Janeiro, via Riotur.

 

A Embratur que depositou R$ 1 milhão para a escola Acadêmicos de Niterói, é comandada, desde janeiro de 2023, pelo ex-deputado Marcelo Freixo (PT), que construiu sua carreira política em Niterói. Do governo do Rio vieram mais R$ 2,5 milhões. O montante faz parte de um contrato maior, de R$ 40 milhões, entre o governo Estadual e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), para patrocinar o Grupo Especial.

 

O maior pagamento foi o da Prefeitura de Niterói, que contribuiu com R$ 4 milhões. Por fim, a empresa municipal de turismo do Rio de Janeiro, a Riotur, contribuiu com mais R$ 2,1 milhões (https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/enredo-pro-lula-teve-r-96-milhoes-e-reunioes-no-palacio-do-planalto). Bom mesmo seria se todas essas empresas e instituições públicas se dedicassem também para socorrer famílias que perderam tudo nas enchentes, por exemplo, em Juiz de Fora (MG), assolada pelas fortes chuvas que causou catástrofe sobre a região mineira.

 

Conforme as últimas informações da Polícia Militar, por causa das enchentes e deslizamentos de terras 72 óbitos em Minas Gerais foram confirmados (7 de Ubá e 65 de Juiz de Fora), além de cinco pessoas que estão desaparecidas e quase quatro mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.

 

Lula destinou para o município mineiro, apenas R$ 2.9 milhões (https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/governo-federal-libera-recursos-em-carater-emergencial-para-juiz-de-fora-e-uba). Na região, três cidades foram bastante afetadas pela chuva, apenas Juiz de Fora foi decretada calamidade pública, as outras duas: Matias Barbosa e Ubá estão sendo tratadas como situação emergencial.

 

O que boa parte dos brasileiros quer, conforme levantamento feito pelo Instituto ARA (pesquisa de fevereiro de 2026), é no mínimo atenção, tanto quanto se dá no Carnaval.

 

Hoje, esses quase R$ 10 milhões do dinheiro público destinado a uma escola de samba, última colocada e rebaixada na disputa do Grupo Especial, poderia ajudar muitas famílias que perderam tudo em Juiz de Fora e em outras cidades no Estado de Minas Gerais.