O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) após derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O resultado representa uma virada em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL terminou à frente do petista.
A disputa marca um episódio inédito desde a adoção do sistema de dois turnos nas eleições presidenciais brasileiras, em 1989: pela primeira vez, um candidato que terminou a primeira etapa em desvantagem conseguiu reverter o resultado e vencer a eleição.
Com a vitória, Lula permanecerá na Presidência da República até o início de 2031. Será seu quarto período à frente do Executivo federal, após os mandatos de 2003 a 2006 e de 2007 a 2010, além do atual mandato, iniciado em 2023. Geraldo Alckmin (PSB) continuará como vice-presidente.
Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O resultado levou a campanha petista a reorganizar sua estratégia para a etapa decisiva da eleição. A equipe promoveu mudanças na coordenação política e ampliou os investimentos na comunicação digital, com o objetivo de alcançar eleitores e fortalecer a mobilização de apoiadores.
Uma das estratégias foi incentivar Lula a gravar vídeos no formato selfie, buscando uma comunicação mais direta com o público nas redes sociais. Paralelamente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, voltado à mobilização de apoiadores na internet.
Lula também participou de debates televisivos durante o segundo turno. Os confrontos com Flávio foram marcados por críticas e provocações entre os candidatos.
A campanha petista ainda explorou as propostas econômicas do adversário, especialmente a promessa de reduzir despesas do governo. Lula argumentou que cortes poderiam afetar programas sociais como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia.
Campanha apostou em mobilização e medidas econômicas
Além das mudanças na comunicação, a campanha de Lula reforçou a articulação política com aliados e ampliou a mobilização nas ruas. Políticos do Nordeste, entre eles o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o senador Camilo Santana (PT-CE), passaram a integrar a estratégia de campanha.
O presidente também anunciou medidas voltadas a diferentes segmentos do eleitorado. Entre elas estavam novas etapas do programa Desenrola Brasil, iniciativas para conter a alta dos combustíveis e propostas direcionadas a trabalhadores, estudantes e microempreendedores.
Na reta final da disputa, Lula defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, apresentou uma proposta de tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana e feriados e anunciou medidas para renegociar dívidas de microempreendedores individuais.
O petista também prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio da rede pública e universitários.
Disputa foi marcada por crises e acusações
A campanha presidencial ocorreu em meio a uma série de controvérsias políticas. Do lado de Flávio Bolsonaro, Lula explorou a relação do senador com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e questionou propostas apresentadas pelo adversário.
Já a campanha do candidato petista enfrentou questionamentos relacionados a investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ambos aparecem em investigações sobre suspeitas de tráfico de influência.
A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master também entrou na disputa eleitoral. Flávio utilizou o caso para criticar o governo e questionar a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do banco.
Outro tema presente na reta final foi a proposta de abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos. Após um desafio lançado por Lula durante um debate na TV Band, as duas campanhas apresentaram manifestações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a divulgação de informações.
Lula assumirá novo mandato aos 81 anos
Aos 80 anos, Lula é o presidente mais velho da história do Brasil a ocupar o cargo. Ele completará 81 anos na próxima terça-feira (27) e assumirá o novo mandato em janeiro de 2027.
Durante a campanha, o presidente procurou afastar questionamentos sobre sua idade e destacou sua rotina de exercícios físicos. Em publicações nas redes sociais, apareceu praticando atividades físicas e afirmou que se sente em boas condições para continuar governando.
A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027, conforme a mudança estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021, que alterou as datas de posse dos chefes do Executivo eleitos.
Terceiro mandato teve avanços sociais e derrotas políticas
Desde que retornou à Presidência, em 2023, Lula retomou programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. O governo adotou o lema “União e Reconstrução” no início da gestão e, posteriormente, passou a utilizar a frase “Governo do Brasil – Do lado do povo brasileiro”.
O período também foi marcado por dificuldades na relação com o Congresso Nacional. Entre os principais reveses estiveram a derrubada de um decreto que aumentava a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), disputas em torno do licenciamento ambiental e do marco temporal, além de dificuldades na articulação política.
O governo também enfrentou crises ministeriais, com mudanças em diferentes pastas ao longo do mandato.
Na área internacional, as relações com os Estados Unidos foram marcadas por tensões comerciais e sanções políticas e econômicas. As duas administrações iniciaram negociações para tentar reverter medidas que afetaram as relações entre os países.
Com a vitória sobre Flávio Bolsonaro, Lula garante mais quatro anos no Palácio do Planalto. O novo mandato começará em janeiro de 2027 e se estenderá até o início de 2031.
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