Líder supremo do Irã ameaça dar “lição inesquecível” aos EUA

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (18) que os Estados Unidos receberão uma “lição inesquecível” após a reanudação dos ataques entre os dois países. Em mensagem citada pela televisão estatal, Khamenei disse que “a querida nação iraniana e o frente de resistência têm lições inesquecíveis a oferecer” ao “inimigo estadunidense”.

Khamenei acusou o presidente Donald Trump de descumprir o acordo assinado em 17 de junho e afirmou que as “reiteradas violações” dos compromissos americanos provam “a insignificância e a nulidade da assinatura do presidente dos Estados Unidos”.

O líder também classificou a atuação dos EUA como “assédio, totalitarismo e barbarismo” e disse que o país mostrou novamente sua “autêntica face”. Ele fez um apelo à unidade interna e pediu que os iranianos evitem qualquer sinal de fraqueza diante do “inimigo”.

Khamenei não aparece em público por segurança

Uma fonte oficial afirmou à agência russa TASS que Khamenei não aparecerá em público até que a situação se normalize “por motivos de segurança” e devido à guerra. Ele também não compareceu aos funerais públicos de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio conjunto dos EUA e Israel em 28 de fevereiro.

Irã suspende formalmente acordo e relata ataques dos EUA a civis

Neste sábado, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, anunciou a suspensão formal do memorando de entendimento — também chamado de Memorando de Islamabad — e do cessar-fogo entre as partes. “Hemos suspendido nuestros compromisos y no vamos a aplicarlos. Estamos ocupados defendiendo nuestro país”, declarou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, denunciou ataques americanos contra instalações civis, citando o bombardeio da Torre de Vigilância Marítima de Chabahar, descrita como uma construção civil destinada à segurança e à navegação. Segundo Baqaei, os EUA também atacaram instalações elétricas e bombas de dessalinização em Bunyi, deixando 10 mil pessoas sem água potável.

Irã relata ataques de resposta e Golfo condena “crimes de guerra”

O Irã informou que realizou ataques de resposta contra posições americanas na região. Segundo a versão iraniana, um deles atingiu a base militar jordana de Muwaffaq Salti, onde teriam morrido pelo menos dois militares americanos. O Bahrein confirmou ataques contra instalações civis “vitais”, sem dar mais detalhes. O Kuwait informou ter sido atingido em uma central elétrica e em instalações de água.

O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condenou os ataques do Irã contra infraestruturas e instalações civis em países árabes e os classificou como “crimes de guerra”. O secretário-geral Jassim al Budaiwi pediu que Teerã preste contas. O bloco afirmou que os ataques causaram feridos entre trabalhadores civis e danos materiais em instalações energéticas e em uma planta dessalinizadora no Kuwait, além de representar uma grave violação do direito internacional e da Carta da ONU.

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