A Volkswagen Kombi inaugurou a linha de produção da Fábrica da Anchieta da VW do Brasil, em São Bernardo do Campo (SP), em 1957, e só parou no final de 2013, acumulando quase seis décadas ininterruptas. Este fenômeno deixou marcas na memória de muitos que, direta ou indiretamente, tiveram uma infância com a van mais popular do Brasil.
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A rara Volkswagen Kombi na versão Standard que você vê ilustrando este texto é uma das poucas remanescentes em estado de zero-quilômetro. Segundo Alex Fabiano, da GG World Premium Classic Cars, ela foi vendida com pouco mais de 7,2 mil km, mantendo absolutamente tudo original, até mesmo os pneus Grand Prix Goodyear de época.
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“Nós vendemos esta Kombi há alguns anos e foi um modelo que deixou saudades por conta de seu rari�ssimo estado de conservac�a~o, sendo que nunca foi usada para trabalho”, revela.
Ainda de acordo com GG, a van da Volkswagen não tinha um retoque de pintura Branca Star, a cor mais popular e mais vendida em toda a sua produção.
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
“Essas Kombis, assim como os Fuscas, têm boa aceitação no mercado de colecionismo e, em se tratando de um veículo comercial igual à van, encontrar uma neste estado que vendemos está cada vez mais difícil”, frisa.
Atualmente, os poucos exemplares de Kombi nunca restaurados e com baixa km podem ultrapassar facilmente os R$ 250 mil, sendo uma peça de coleção cada vez mais presente no mundo todo.
HISTÓRIA DE SUCESSO

Imagem: Divulgação
Nascida logo após a Segunda Guerra Mundial, quando as tropas britânicas deixaram a sede oficial da Volkswagen em Wolfsburg, a velha e boa Kombi fez sucesso em todos os quatro cantos do planeta, caindo definitivamente nas graças de todos, principalmente do público em cujas terras o modelo ainda é comercializado, como o Brasil.
O nome de batismo do Tipo 2, Kombi, vem de Kombinationsfahrzeug, que no idioma germânico significa veículo combinado ou combinação do espaço para carga e passeio, e foi assim que o público brasileiro conheceu um dos veículos mais populares da história da indústria automobilística.
O sucesso de tanta resistência e vitalidade da rústica van, comparado aos projetos mais avançados de suas concorrentes, veio a partir do esboço de um oficial inglês das forças de ocupação; seu nome era Major Ivan Hirst — encarregado na época de liderar a produção de automóveis bélicos para a Segunda Guerra Mundial.
O projeto Typ 2 (Tipo 2) só veio à tona graças a uma parceria entre Hirst, o engenheiro alemão Alfred Haesner e o holandês Ben Pon, dono de concessionária. Pon, certa vez ao visitar as dependências da sede da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha, notou um curioso veículo batizado de Plattenwagen, que tinha como finalidade transportar peças de um galpão para outro dentro da fábrica.
O empresário então pensou que seria interessante fazer a importação para a Holanda, porém Pon acabou se frustrando por não poder importar os Plattenwagen, devido às rigorosas normas de trânsito que vigoravam naquele país.
Assim, o empresário Ben Pon teve a feliz ideia de desenvolver um projeto revolucionário que atendesse ao mercado de utilitários. Depois de apresentado o esboço aos Hirst e Haesner, o projeto “Tipo 2” ganhou vida no ano de 1947. Foi assim que nasceu a Kombi.
Dois anos depois, o Transporte — nome de batismo da Kombi alemã — já era comercializado na Alemanha e vendido a outros países como Polônia, Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, entre outros.
A KOMBI CHEGA AO BRASIL

Por aqui, as primeiras unidades da Volkswagen Kombi vieram importadas no ano de 1949. Graças ao sucesso de vendas, quatro anos mais tarde, a matriz alemã resolveu instalar uma filial no Brasil, inicialmente sendo produzida pela Brasmotor, representante da americana Chrysler e proprietária da Brastemp na época. Ainda em 1953, nascia a Volkswagen do Brasil num reduzido galpão que contava inicialmente com apenas 12 funcionários.
A Volkswagen do Brasil foi inaugurada em São Bernardo do Campo (SP), estreando a produção da Kombi. Praticamente idêntica à versão alemã, a versão brasileira contou inicialmente com motor de 1.192 cm³ e 36 cv a 3.400 rpm, que atingia a velocidade final de 100 km/h.
As opções Luxo e Standard, além da Lotação, lançadas em 1967, eram as versões mais populares. No mesmo ano eram introduzidas a versão picape e um motor de 1,5 litro mais potente, para toda a linha, com (1.493 cm³), que rendia 44 cv, além de sistema elétrico de 12 Volts.
Curiosamente, foram lançadas com seis portas, sendo duas para cada fileira de bancos. Este modelo ficou popularmente conhecido como Corujinha devido à sua frente estilizada, que se assemelha ao animal. Hoje um raro modelo, e cada vez mais disputado por colecionadores.
Em 1975 ocorreria a primeira mudança com nova frente, traseira e a chegada do motor 1600 cc. Conhecida como Clipper, inicialmente a Volks pretendia fazer a reestilização completa, deixando a Kombi nacional com a porta corrediça e as três janelas grandes de cada lado, mas, aparentemente para cortar custos, a fábrica escolheu combinar a frente (com as portas dianteiras) e a traseira (apenas as lanternas) do modelo internacional com a carroceria do modelo nacional, de 12 janelas laterais.
Em 1981, a Volkswagen iniciava as vendas da Kombi com motor de 1,5 litro movido a diesel, refrigerado a água e um exclusivo radiador dianteiro. Este motor era o mesmo que equipava o Passat exportação e foi oferecido nas versões picape, com cabine simples ou dupla, além da configuração furgão.

Imagem: Divulgação
A mudança mais profunda só chegaria em 1997, quando o modelo finalmente recebia a porta corrediça e carroceria semelhante àquela conhecida no resto do mundo, embora o teto elevado em 11 cm seja único do modelo brasileiro. A tradicional parede que dividia a cabine do motorista e passageiro com o salão já não existia mais. Com isso, o estepe foi parar no porta-malas. O motor continuava o mesmo boxer de quatro cilindros arrefecido a ar de pouco mais de 50 cv.
Em 2005, a VW marcava a chegada da Kombi Série Prata, edição limitada que marcava o último modelo refrigerado a ar. Em 2006, a Kombi quebrou, talvez, uma de suas maiores tradições. Trocou o motor boxer refrigerado a ar pelo 1.4 de quatro cilindros em linha da família EA111 com refrigeração líquida.
Era o mesmo que equipou o VW Polo exportado para Alemanha, mas adaptado para a tecnologia flexível. Por conta dessa adaptação, na Kombi, a potência conseguida foi de 80 cavalos no etanol e 78 cv com gasolina, enquanto que o torque ficou em 12,7 kgfm (etanol) e 12,5 kgfm (gasolina).
A transmissão, por sua vez, mantinha a disposição manual de quatro marchas. Segundo a Volkswagen, com isso, a Kombi arrefecida a água tornou-se até 34% mais potente e cerca de 30% mais econômica do que a antecessora, com arrefecimento a ar.
Com o projeto defasado e incompatível para receber os freios ABS e duplo airbag, obrigatórios em 2014, o último suspiro da VW Kombi ocorreu no final de 2013.

Imagem: Divulgação