O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (22). O líder trabalhista deixa o cargo após quase dois anos de mandato, pressionado por derrotas eleitorais e pela perda de confiança de seu próprio grupo parlamentar.
Starmer comunicou a decisão em frente à sua residência oficial, na Downing Street. “Cada decisão que tomei foi para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que renuncio como líder do Partido Trabalhista”, declarou.
Derrotas eleitorais aceleraram a decisão
A renúncia de Starmer ocorre após uma série de derrotas do Partido Trabalhista nas eleições locais da Inglaterra, realizadas na última semana. A legenda perdeu 537 vereadores, enquanto a formação ultranacionalista Reform UK conquistou 785 assentos.
Na Escócia, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) saiu vitorioso. No País de Gales, o Plaid Cymru (Partido de Gales) venceu pela primeira vez, desbancando os trabalhistas de seu histórico reduto eleitoral.
Nos últimos dias, pelo menos quatro ministros pediram publicamente que Starmer renunciasse: a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper; o ministro de Combate às Mudanças Climáticas, Ed Miliband; a ministra do Interior, Shabana Mahmood; e a ministra dos Transportes, Heidi Alexander.
O primeiro-ministro reconheceu que não é “o melhor posicionado” para liderar seu partido nas próximas eleições, uma realidade que aceita “com boa graça”.
Andy Burnham é o favorito para substituir Starmer
Tudo indica que Andy Burnham, prefeito de Manchester, será o sucessor de Starmer. Burnham foi a surpresa nas últimas eleições inglesas ao vencer a ultradireita no distrito eleitoral de Makerfield, no norte da Inglaterra. Ele deve assumir o cargo de deputado ainda nesta segunda-feira.
Starmer deve permanecer no cargo até o outono (hemisfério norte), tempo suficiente para que um novo líder seja escolhido na conferência anual do partido, no final de setembro.