Em uma operação que decapita a cúpula de segurança da República Islâmica, Israel anunciou nesta terça-feira (17) a morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. A ironia do destino marca o evento: na semana passada, Larijani havia enviado um aviso público ao presidente americano Donald Trump: “Cuidado consigo mesmo — para não ser você o eliminado”.
O ataque aéreo noturno também matou o General Gholamreza Soleimani, comandante da força paramilitar Basij, responsável por operações repressivas durante protestos civis, com uso de “violência extrema e prisões em massa”, segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI). O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou: “Larijani e o comandante dos Basij foram eliminados durante a noite e se juntaram ao falecido Aiatolá Khamenei nas profundezas do inferno”.
Larijani, de 67 anos, era considerado o homem mais poderoso do Irã em segurança e política externa desde a morte de Khamenei. Reconhecido como arquiteto da repressão sangrenta aos protestos civis no início deste ano — com estimativas de 7.000 a 36.500 mortos —, ele também possuía perfil acadêmico distinto: graduado em matemática e informática, doutor em filosofia com tese sobre Immanuel Kant, autor de seis livros e professor na Universidade de Teerã. Apesar disso, sua atuação política incluiu o controle rigoroso da propaganda estatal, atacando intelectuais e opositores.
Nos últimos dias antes da morte, Larijani participou do Quds Day, comício em apoio à Palestina, onde criticou Trump e afirmou que “o povo iraniano é maduro e determinado”. Ele também estava ativo nas redes sociais, publicando mensagens em inglês ao público americano, incluindo: “Trump traiu ‘America First’ para adotar ‘Israel First“. Após a operação, suas contas no Telegram e X divulgaram uma nota manuscrita homenageando marinheiros mortos em combate: “O martírio das valentes forças navais é parte dos sacrifícios desta nação valorosa. Sua memória permanecerá sempre nos corações do povo iraniano”.
Larijani também constava na lista do programa Recompensas por Justiça do Departamento de Estado dos EUA, com prêmio de até US$ 10 milhões por informações sobre líderes-chave da Guarda Revolucionária Islâmica. A morte de Soleimani representa, segundo as FDI, “outro golpe grave aos sistemas de comando e controle de segurança do regime”.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou uma foto mostrando o premiê ordenando os ataques contra altos funcionários do regime iraniano. As FDI reforçaram que “continuarão agindo com firmeza contra os comandantes do regime terrorista iraniano”.