A guerra no Oriente Médio gerou o maior choque de fornecimento de petróleo da história, alertou a Agência Internacional de Energia (AIE) nesta quinta-feira (12), enquanto o Irã intensificava ataques contra instalações energéticas do Golfo, fazendo o preço do barril ultrapassar US$ 100.
Imagens de Barém mostraram fumaça densa após ataque a tanques de combustível em Muharraq, com autoridades orientando moradores a permanecerem em casa e fecharem janelas.
Drones causaram danos no aeroporto internacional do Kuwait, explosões foram registradas no centro de Dubai, e a Arábia Saudita informou ter interceptado drones que seguiam para o campo petrolífero de Shaybah e a área da embaixada.
A AIE, com sede em Paris, declarou que o conflito de 13 dias provocou a “maior interrupção de fornecimento na história do mercado global”, superando choques da década de 1970.
A produção total de petróleo nos estados do Golfo caiu pelo menos 10 milhões de barris por dia, e não há sinais de desescalada. Com ataques iranianos bloqueando o Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo, os preços de referência subiram entre 40% e 50% desde os ataques de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Um alto comandante militar iraniano alertou que o país poderia travar uma guerra prolongada capaz de “destruir” a economia mundial. Por sua vez, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã enfrentaria derrota iminente, mas admitiu que a campanha militar não terminaria “de imediato”.
O conflito se expandiu rapidamente pela região: em Líbano, ataques israelenses mataram centenas, incluindo pelo menos oito pessoas na zona costeira de Beirute na quinta-feira. A navegação no Estreito de Ormuz segue praticamente paralisada, com três navios atacados no Golfo perto de Emirados Árabes Unidos e Iraque.
Um navio perto dos Emirados foi atingido por “projétil desconhecido”, mas toda a tripulação está a salvo. Autoridades iraquianas informaram um ataque de sabotagem a dois petroleiros, com pelo menos um tripulante indiano morto.
O Estreito de Ormuz, por onde passa 1/5 do petróleo e GNL mundial, tem apenas 54 km de largura no ponto mais estreito. O Irã prometeu que não exportará petróleo enquanto os ataques americanos e israelenses continuarem, embora dados do setor indiquem que suas exportações, limitadas por sanções, ainda chegam a destino.
Forças americanas atacaram 28 navios iranianos colocadores de minas para evitar que Teerã bloqueasse completamente o estreito. Os ataques iranianos de quinta-feira ocorreram após declarações de Trump de que o Irã estava “quase no fim do caminho”.
Impacto humano e econômico
A guerra já matou mais de 1.200 pessoas no Irã, 630 no Líbano e 14 em Israel, enquanto ataques no Golfo resultaram em 24 mortos, incluindo 11 civis e 7 militares americanos. Mais de 800 mil pessoas foram deslocadas no Líbano.
O custo para os EUA já ultrapassa US$ 11,3 bilhões, segundo dados do Pentágono.
Os preços do petróleo subiram acima de US$ 100 por barril, mesmo após liberação recorde das reservas estratégicas coordenada pela AIE. Especialistas alertam que as medidas não foram suficientes para conter os temores de conflito prolongado.
A guerra também atingiu o Líbano, com operações terrestres e ataques a infraestruturas do Hezbollah, apoiado pelo Irã, agravando a crise humanitária e econômica na região.