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Em um desdobramento inesperado da crise no Oriente Médio, o presidente Donald Trump anunciou na noite desta terça-feira que o Irã concordou com um cessar-fogo de duas semanas e reabrirá o Estreito de Ormuz, após Teerã submeter um plano de paz com dez pontos para encerrar o conflito.
Trump publicou em sua rede social Truth Social: “Concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas”, após ter provocado temor global ao ameaçar destruir “toda a civilização” iraniana caso o estreito não fosse reaberto.
Segundo o presidente, após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ele recebeu garantias de que o Irã concordaria com “a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz”.
“Será um cessar-fogo bilateral”, afirmou Trump. “O motivo é que já atingimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã.”
Um alto funcionário da Casa Branca informou à Axios que Israel também concordou em suspender ataques ao Irã por duas semanas, com a trégua passando a valer assim que o estreito for reaberto.
O Irã aceitou o acordo mediado pelo Paquistão após uma intervenção de última hora da China, que pediu flexibilidade diante do impacto econômico da guerra, segundo três autoridades iranianas ao New York Times.
Após o anúncio de Trump, os preços do petróleo nos Estados Unidos despencaram: contratos do West Texas Intermediate caíram mais de 15%, chegando a US$ 95 por barril, após terem atingido US$ 116 mais cedo na terça-feira.
O plano de dez pontos do Irã, divulgado pela agência estatal Tasnim, exige que os EUA aceitem o controle contínuo de Teerã sobre o estreito, reconheçam seu direito ao enriquecimento de urânio, levantem todas as sanções, paguem indenizações e retirem todas as tropas da região.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que o país permitirá passagem segura pelo Estreito de Ormuz caso certas condições sejam atendidas. “Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas forças armadas cessarão suas operações defensivas. Durante duas semanas, a passagem segura pelo estreito será possível em coordenação com nossas forças”, disse.
Apesar de rumores sobre a saúde do novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, supostamente em coma, o cessar-fogo foi aprovado, segundo autoridades iranianas.
Trump considerou o plano como “uma base viável para negociações”, embora tenha afirmado na segunda-feira que a proposta não era “suficientemente boa”. A negociação, chamada Operação Fúria Épica, teve participação do vice-presidente JD Vance, do genro de Trump, Jared Kushner, e do enviado especial Steve Witkoff.
O acordo foi confirmado após Sharif anunciar no X que avanços significativos haviam sido alcançados entre negociadores americanos e iranianos. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que discussões sobre encontros presenciais ainda estão em andamento, sem definição final.
Antes da assinatura do cessar-fogo, Trump havia alertado que “uma civilização inteira morrerá esta noite, sem chance de retorno” caso nenhum acordo fosse fechado até as 20h ET.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, gerou ataques a pontes, estações de trem e infraestrutura militar, incluindo ações americanas na Ilha Kharg, um ponto estratégico da produção de petróleo iraniano. Bombardeios iranianos a embarcações que transitavam pelo estreito também fizeram disparar os preços globais do petróleo e o preço médio da gasolina nos EUA, que subiu 39%, de US$ 2,98 para US$ 4,14 por galão.
O Estreito de Ormuz é estratégico: passa por ele um quinto do suprimento mundial de petróleo. Os EUA exigiram que o Irã interrompa o enriquecimento nuclear, reduza programas de mísseis e drones, cesse o apoio a milícias na região e reabra imediatamente o estreito.
O plano iraniano é a resposta a uma proposta americana de 15 pontos apresentada via Paquistão para iniciar o cessar-fogo. Sharif pediu aos envolvidos que aceitassem a trégua como gesto de boa-fé, garantindo tempo para a diplomacia agir em prol da paz e da estabilidade regional.