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Infraestrutura para carros el�tricos cresce no Brasil. Mas ser� que j� valem a pena? Confira

Quando se fala na chegada dos carros elétricos, muita gente pensa apenas na troca de tecnologia, sai o motor a combustão, entram baterias e motores elétricos. Mas, olhando com um pouco mais de atenção, a mudança que está acontecendo na indústria automotiva começa a mexer em toda a lógica do setor.

Não é só o carro em si, a mudança também está relacionada com a forma como as pessoas usam o veículo no dia a dia e os novos negócios que surgem em torno disso. E um dos pontos mais importantes dessa nova fase está fora do carro, a rede de recarga

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Hoje, o Brasil conta com mais de 21 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos, e a rede de carregadores rápidos tem crescido. Com o aumento dos veículos eletrificados, o país tem começado, de fato, a montar a infraestrutura necessária. Há também a parte econômica envolvida, a infraestrutura de recarga já movimenta entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano.

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O que diz o especialista

Eletrificação muda a indústria justamente porque altera um elemento essencial, a jornada do consumidor com o carro
Imagem: Divulgação

Segundo Leandro Guissoni, professor e diretor do mestrado profissional em marketing da Fundação Getulio Vargas e cofundador da consultoria Decoupling, a eletrificação muda a indústria justamente porque altera um elemento essencial, a jornada do consumidor com o carro

Pense na experiência tradicional de quem dirige um veículo a combustão. Em algum momento, inevitavelmente, o motorista precisa parar em um posto para abastecer. É uma etapa obrigatória mas que raramente é vista como algo positivo. Envolve deslocamento, gasto de tempo e, muitas vezes, filas ou espera. Com os carros elétricos, esse costume começa a desaparecer.

Em muitos casos, o motorista simplesmente conecta o carro na tomada em casa ou na garagem do condomínio durante a noite. Enquanto dorme, o veículo recarrega. Aquela parada obrigatória passa a acontecer de forma praticamente invisível na rotina.

Para Guissoni, essa mudança tira um obstáculo da experiência do usuário. E quando uma etapa do processo deixa de existir, algum elo da cadeia tradicional acaba perdendo espaço.
 
É por isso que um dos setores que mais sentem os efeitos da eletrificação é justamente o dos postos de combustíveis. Isso não significa que eles vão desaparecer, mas o papel desses locais tende a mudar. Muitos já começam a se reinventar, instalando carregadores elétricos, ampliando lojas de conveniência ou tentando se posicionar como hubs de mobilidade.

Indústria automotiva passa por uma reorganização interna

Modelos eletrificados estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia
Modelos eletrificados estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia
Imagem: Divulgação

Um carro elétrico tem menos componentes mecânicos que um modelo a combustão. Peças tradicionais como motor complexo, transmissão e sistema de escapamento deixam de existir ou se tornam muito mais simples. Para parte da cadeia de fornecedores, isso precisa de adaptação.

Por outro lado, novos protagonistas aparecem, coo fabricantes de baterias, empresas de software, operadores de infraestrutura de recarga e companhias especializadas em gestão de energia.

Outra área que começa a crescer é para casas e condomínios. Com novas regras que facilitam a instalação de carregadores em garagens, principalmente no estado de São Paulo, aumenta a procura por empresas que vendem os equipamentos, fazem a instalação e também ajudam a controlar o consumo de energia.

Preço dos elétricos e valor de revenda ainda pesa

Carregador doméstico facilita bastante a vida de quem tem um carro elétrico e costuma usá-lo no dia a dia
Carregador doméstico facilita bastante a vida de quem tem um carro elétrico e costuma usá-lo no dia a dia
Imagem: Divulgação

O preço inicial dos veículos elétricos também é uma barreira. Uma parte grande desse valor está nas baterias, que dependem de cadeias de produção complexas e de minerais importantes, como lítio, níquel e cobalto.

Outro ponto que ainda gera dúvidas entre os consumidores é o valor de revenda desses carros no futuro. Como a tecnologia ainda é relativamente nova no país, ainda precisa de mais tempo para entender como fatores como a durabilidade das baterias e a chegada de novas marcas, principalmente fabricantes chineses, podem influenciar o mercado de usados.

Mesmo assim, Guissoni acredita que o fator decisivo para acelerar essa transformação talvez não seja apenas tecnologia ou preço. “A mobilidade elétrica depende da construção de um ecossistema coordenado. Montadoras, empresas de energia, incorporadoras, operadores de infraestrutura e governos precisam trabalhar juntos. Quando isso acontece, a adoção tende a avançar muito mais rápido.”, explica o especialista. No fim das contas, a eletrificação vai muito além da troca do motor.

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