O uso de bots, contas falsas e inteligência artificial ajudam a criar debates artificiais, manipular tendências e influenciar a percepção do público na internet

A indústria da opinião é composta por estratégias utilizadas para fabricar, amplificar ou distorcer percepções coletivas com o objetivo de influenciar pessoas, e não apenas informar. Esse mercado envolve campanhas em redes sociais capazes de alterar debates políticos, fortalecer marcas ou manipular tendências on-line. Entre os clientes estão movimentos políticos, empresas, celebridades e influenciadores que buscam melhorar sua imagem, minimizar críticas ou ampliar artificialmente sua popularidade.
A função dessas operações explora tanto o comportamento humano quanto os algoritmos das plataformas digitais. Contas falsas e redes coordenadas geram grande volume de publicações para fazer com que determinados temas pareçam espontâneos e relevantes. Dessa forma, usuários reais acabam participando das discussões credenciando que elas surgiram de maneira natural. As camadas “fazendas de conteúdo” produzem milhares de textos e publicações de baixa qualidade com o objetivo de gerar cliques, obter receita publicitária e ampliar influência política ou comercial.
A inteligência artificial agravou este cenário ao permitir uma rápida criação de conteúdos personalizados, bots mais sofisticados e perfis falsos com imagens altamente realistas. As redes sociais, por sua vez, são ao mesmo tempo ocidental e beneficiam esse sistema, já que conteúdos polêmicos tendem a aumentar o engajamento e, consequente a receita publicitária. Embora existam pessoas que ajudam a identificar contas falsas e conteúdos manipulados — como perfis não criados com ativação intensa e mensagens sem fontes confiáveis —, nenhum método de proteção é totalmente seguro.
Datacracia
Uma coluna Datacraciacom o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no YouTubecom produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.
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