Identificar precocemente o retorno do câncer é um dos desafios médicos
Uma pesquisa desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto investiga o uso de um exame de sangue para acompanhar pacientes com linfoma e identificar sinais de possível recaída. O estudo é coordenado pelo professor Rodrigo Calado, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e presidente do Hemocentro, e conta com recursos de R$ 4,6 milhões do Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica).
A técnica, conhecida como biópsia líquida, permite analisar fragmentos de DNA liberados pelas células tumorais na corrente sanguínea. A pesquisa busca avaliar o potencial desse método no acompanhamento de pacientes com linfomas não-Hodgkin B agressivos, especialmente o linfoma difuso de grandes células B.
Dependendo das características da doença, entre 20% e 50% dos pacientes podem apresentar recaída. Identificar precocemente o retorno do câncer é um dos desafios médicos para quem essas informações contribuem para o acompanhamento dos pacientes e a avaliação de alternativas terapêuticas.
Com o uso de sequenciamento genético, os pesquisadores investigam alterações características do tumor e a presença de DNA tumoral circulante. Outros estudos internacionais indicaram que esse exame pode antecipar a identificação de recaídas. Em um desses estudos, a detecção ocorreu, em média, 3,5 meses antes da manifestação clínica do retorno da doença. A pesquisa realizada em Ribeirão Preto investiga o potencial dessa aplicação no monitoramento dos pacientes.
Atualmente, o diagnóstico dos linfomas depende, em geral, da análise de amostras de tecido obtidas por biópsia. O acompanhamento também envolve avaliações clínicas e exames de imagem, como o PET-CT. A biópsia líquida ainda está em investigação para essa finalidade e não substitui esses procedimentos, mas poderá funcionar como ferramenta complementar para avaliar a resposta ao tratamento e identificar sinais de doença residual.
Exames – Outro benefício está em ampliar o acesso a exames especializados. Como a técnica usa uma amostra de sangue, o material pode ser coletado em diferentes unidades de saúde e regiões do país encaminhado a laboratórios de referência, evitando deslocamentos dos pacientes.
Pacientes – Estimativas apontam que o Brasil registra anualmente entre 12 mil e 12,2 mil novos casos de Linfoma Não-Hodgkin, afetando cerca de 6,4 mil homens e 5,6 mil mulheres. A variante mais agressiva da doença, o Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB), responde por aproximadamente um terço a 40% do total de diagnósticos, o que representa o surgimento de 3,6 mil a 4,8 mil novos casos anuais no país.
Pronon – O Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica permite a doação de 1% do imposto de renda devido para financiar projetos aprovados pelo programa. Pessoas físicas e jurídicas podem fazer o abatimento.