A gripe, também chamada de influenza, é uma doença aguda que acomete as vias respiratórias. Ela ocorre quando organismo é infectado pelo vírus influenza, pertencente à família Orthomyxoviridae.
Existem vários tipos de influenza: A, B, C e D. Os mais comuns, no entanto, são os tipos A e B.
A gripe pode ocorrer em surtos ao longo do ano, mas é mais frequente no inverno ou em períodos mais frios. No Brasil, a temporada de gripe ocorre geralmente entre abril e outubro, principalmente nas regiões em que as condições climáticas são mais definidas.
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É importante lembrar que resfriado e gripe são doenças distintas: os resfriados são causados por rinovírus ou coronavírus e têm apresentação diferente, causando sintomas mais leves.
Mudança e deriva antigênicas
Os vírus influenza A e influenza B são muito parecidos. Contudo, o tipo A é mais comum e costuma provocar sintomas mais graves. Além disso, ele pode infectar seres humanos e animais, enquanto o tipo B afeta quase exclusivamente seres humanos.
Exatamente por infectar animais, é mais comum que o vírus influenza A sofra mudança antigênica (antigenic shift), uma alteração repentina e drástica no material genético do vírus que possibilita que ele seja transmitido de um animal para seres humanos.
A mudança antigênica permite que o vírus influenza A cause pandemias, pois ao passar de animais para seres humanos, estes não têm anticorpos contra o vírus. Foi o que ocorreu em 2009, com o subtipo H1N1, um vírus A que passou de suínos para seres humanos, causando uma pandemia de gripe, à época conhecida como “gripe suína”.
Outra maneira de o vírus evoluir é chamada de deriva antigênica (antigenic drift), e afeta tanto o influenza A quanto o B. Nessa mudança, o vírus sofre pequenas mutações genéticas anualmente, aumentando seu potencial epidêmico. É por esse motivo que precisamos tomar a vacina contra a gripe todos os anos.
Subtipos de vírus
Apesar das diferenças, ambos os tipos de vírus têm muito em comum. Eles se espalham com facilidade e provocam sintomas similares, que costumam ser mais graves em bebês e idosos.
Os vírus influenza podem ser divididos em subtipos, uma classificação baseada nas proteínas da superfície de um vírus. Vamos aos mais comuns:
Subtipos de influenza A (infectam animais e seres humanos)
- A(H1N1)pdm09: responsável pela pandemia de 2009, atualmente circula de forma sazonal;
- A(H3N2): também circula de maneira sazonal e infecta seres humanos;
- A(H5N1), A(H7N9), A(H10N8), A(H3N2v), A(H1N2v) e outros: são de origem animal e podem infectar seres humanos, causando doença grave. No entanto, são menos comuns.
Linhagens de influenza B (infectam exclusivamente os seres humanos)
Os vírus da gripe B não são classificados em subtipos, mas em linhagens., conjunto de variantes que compartilham um ancestral comum e que se propagaram com sucesso em diferentes regiões. No momento, há duas linhagens de influenza B circulantes:
- Linhagens B/ Yamagata;
- e B/ Victoria.
Influenza C
O tipo C infecta seres humanos e suínos. É detectado com muito menos frequência e geralmente causa infecções leves e não está relacionado a epidemias.
Influenza D
Foi identificado em 2011, nos Estados Unidos , em suínos e bovinos e não é conhecido por infectar ou causar doença em seres humanos.
E a gripe K?
Além dos subtipos de vírus, há os subclados, uma subdivisão genética dentro de uma linhagem de um vírus.
A chamada “gripe K” refere-se ao subclado K da linhagem do vírus A H3N2, ou seja, é uma variação genética do H3N2, que circula ativamente e provoca surtos sazonais em seres humanos.
Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, disse em entrevista ao Portal, que a gripe K é uma resultado do processo natural de mudanças graduais do vírus ao longo do tempo: “Ele não representa um novo vírus, mas um desdobramento do H3N2 já conhecido”.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que monitora a disseminação do subclado K, a variante apresenta rápida disseminação internacional, mas não há, até o momento, indicação de que cause sintomas mais intensos que as demais variantes.
“Embora tenha havido circulação intensa e início mais precoce da temporada de gripe em alguns países, não foram observados sinais consistentes de maior risco de formas graves em comparação com outros vírus influenza A”, explica Torres Filho.
Sintomas da gripe
Uma forma de discernir gripes e resfriados é verificar a intensidade dos sintomas. Em geral, os resfriados provocam sintomas mais leves, que não deixam a pessoa de cama. Já a gripe gera um quadro mais intenso, com sintomas que “derrubam”. Veja os mais comuns:
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Febre;
- Dor no corpo;
- Calafrios;
- Dor de cabeça;
- Secreção nasal excessiva;
- Mal-estar;
- Dor muscular;
- Cansaço intenso.
A principal complicação da gripe são as pneumonias, que atingem especialmente bebês e idosos e são responsáveis pela maioria das internações decorrentes de influenza.
Veja também: Por que a gripe pode ser perigosa?
Vacina é o melhor remédio contra a gripe
Todos os anos, a vacina da gripe é atualizada com as cepas (variantes genéticas dentro de uma mesma espécie viral) dos vírus mais circulantes no momento, por isso ela precisa ser aplicada anualmente.
A vacina é segura e eficaz na prevenção de quadros graves de gripe. Todas as pessoas devem se vacinar contra a doença, mas crianças e idosos são o público com maior risco de desenvolver quadros graves da doença, assim costumam ser os grupos prioritários nas campanhas de vacinação.
Como prevenir?
Além da vacina, o Ministério da Saúde recomenda as seguintes medidas para prevenir a gripe:
- Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel, principalmente antes de consumir algum alimento;
- Evite aglomerações e ambientes fechados (procurar manter os ambientes ventilados);
- Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
- Mantenha os ambientes bem ventilados;
- Evite contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;
- Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
- Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir;
- Utilize lenço descartável para higiene nasal;
- Adote hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos;
- Evite sair de casa em período de transmissão da doença.
*Com informações do Portal Drauzio, Fiocruz, Ministério da Saúde e Cleveland Clinic