Governo agradou tanto BYD quanto Stellantis, GM, VW e Toyota

De um lado, a chinesa BYD tenta junto ao governo uma mudança nas tarifações para carros importados e montados em regime SKD (quando os veículos chegam já parcialmente montados), mesmo com a fábrica atrasada e as investigações sobre trabalho escravo junto ao Ministério Público do Trabalho. De outro, Stellantis, General Motors, Volkswagen e Toyota ameaçam retirar investimentos do Brasil caso o Governo Federal ceda às pressões da chinesa.

A agência pública de notícias brasileira, a Agência Brasil, publicou um artigo entitulado “Montadoras tentam influenciar governo em disputa por mercado do Brasil” e apontou que nenhum dos dois lados está certo. No entanto, seu texto deixou claro que o Governo Federal, ao invés de tomar um lado na situação, ou fechar as portas tanto para BYD quanto para as outras quatro estrangeiras estabelecidas a mais tempo no país, o Governo Federal tentará agradar ambos os lados.

A BYD solicitou a redução das tarifas de importação de kits de veículos CKD e SKD de 18% a 20% para patamares entre 5% e 10%, o que desagradou as fabricantes já instaladas. No dia 15 de julho, uma carta foi encaminhada ao presidente Lula, assinada por Ciro Possobom (VW), Evandro Maggio (Toyota), Emanuelle Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (GM), criticando a medida e alertando para prejuízos à indústria nacional.

Hoje (30/7), a BYD respondeu à carta, chamando as rivais de “dinossauros” e reafirmando sua posição: “Se os dinossauros gritam, é sinal de que o meteoro chegou”. A publicação original da carta pelas montadoras argumentava que permitir a importação de conjuntos de peças como prática contínua reduziria o alcance do processo produtivo nacional. A mesma frase foi repetida em post nas redes sociais por Ciro Possobom.

Com os dois lados em embate, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), se reúne nesta quarta-feira (30/7), em caráter extraordinário, para discutir os pleitos.

As montadoras tradicionais, reunidas na Anfavea, querem antecipar de 2028 para 2026 o aumento das tarifas para carros elétricos desmontados, o que atingiria a BYD. Já a chinesa defende a redução temporária do imposto, alegando necessidade de tempo para nacionalizar a produção.

Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do MDIC, declarou à Agência Brasil que uma proposta em estudo seria ampliar a cota de isenção para importação nos primeiros anos, como forma de transição. O plano previa 50 mil unidades isentas no primeiro ano, caindo para 40 mil e 30 mil nos dois anos seguintes, enquanto se anteciparia o aumento da tarifa máxima de 35% para veículos elétricos e híbridos, antes previsto apenas para julho de 2026.

“Atende de um lado, antecipando a alíquota de 35% para 2026, que é o pleito da Anfavea. E, ao invés de atender o pleito de redução tarifária, eu estabeleço uma cota até 1º de julho de 2026. Isso vai ser discutido no Gecex e depois vai ser discutido na Camex, que são 10 ministérios”

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do MDIC

A decisão

A Gecex-Camex emitiu uma nota com a resolução dos pedidos de ambas as partes. Ficou rejeitado o pedido da BYD para reduzir os impostos de importação para veículos montados aqui a partir de kits semi prontos importados (regime SKD) ou com peças importadas e montagem local (CKD). Além disso, será antecipada a aplicação da alíquota de imposto de importação de 35% para veículos híbridos ou elétricos montados em regime CKD em um ano em meio. O aumento da alíquota deveria ocorrer em julho de 2028, mas foi antecipado para janeiro de 2027.

É uma derrota para a BYD, indo de encontro aos pedidos das montadoras já estabelecidas aqui e reunidas em torno da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. No entanto, a marca chinesa não saiu perdendo mais porque o Camex deliberou que, em contrapartida, veículos montados no Brasil com componentes importados, em regime SKD, terão isenção do Imposto de Importação por seis meses, ou seja: até início de 2026, ou até o uso do somatório de até US$ 463 milhões.

Em nota, o MDIC afirmou que “com a antecipação do cronograma, o Gecex busca adequar a política tarifária aos investimentos esperados para os próximos anos no setor automotivo do país, trazendo novas tecnologias para o consumidor e cada vez mais adensamento à cadeia produtiva nacional.

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