O Volkswagen Gol, em especial as versões esportivas GT, GTS e GTi, já foi sonho de muitos de nós e mesmo com o seu fim, continua encantando as mais diversas idades. O hatch surgiu em 1980 como um possível substituto do Fusca e inovou em muitos aspectos. O próprio GTi, por exemplo, inaugurou a era da injeção eletrônica de combustível no Brasil.
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Com direito a uma apresentação triunfal, um Gol GTi Azul Mônaco chamou a atenção no Salão do Automóvel de São Paulo de 1988 e, por isso, é um dos mais lembrados e desejados. Ainda mais cultuados, os GTis de 1991 em diante explodiram na valorização.
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Clássico vale ouro
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Os mais ‘emocionados’, pedem mais de R$ 500 mil, e algumas empresas, inclusive investiram e procuraram se especializar na restauração do modelo, tornando-se uma lucrativa fonte de renda. Lojas especializadas em clássicos em geral também enxergaram nos GTis uma oportunidade de gerar mais lucro em seus negócios.
É o caso da GG World Premium Classic Cars que já vendeu alguns modelos dessa safra como um 1994 na cor branca perolizada (Branco Nacar) e outro 1993 na desejada amarela (Amarelo Sunny) das fotos. Vendida há pelo menos dois anos, segundo GG, a unidade passou por uma minuciosa restauração no padrão original.
“Este GTi amarelo foi restaurado de para-choque a para-choque em um altíssimo nível, feito por um engenheiro da Volkswagen que juntamente com a equipe fez este carro em um padrão absurdo”, disse Alex Fabiano ‘GG’.
Ainda de acordo com o comerciante, carpetes que nos GTIs eram mais caprichados, além de revestimento de portas, tabelier e forração de teto e vidros, ainda são os originais de quando saiu da fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP).

Imagem: Divulgação
Já o motor AP-2000 de 112 cv foi todo desmontado, retificado e revisado, e a bela aparência é destacada por meio das peças, como parafusos e porcas, todas bicromatizadas, num nível mais próximo possível do original.
“O cofre deste motor foi muito bem restaurado não deixando escapar nem mesmo pequenos detalhes como reprodução de etiquetas e dos lacrizinhos que saiam de fábrica dos parafusos”, explica GG.
Segundo GG, uma unidade 100% restaurada neste nível, como está hoje, está avaliada em torno de R$ 450 mil, quantia suficiente para levar quatro unidades do Polo 0 km nas versões Robust ou Track.
O DESAFIO DE RESTAURAR UM GOL GTI

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Especializado em restaurar modelos Volkswagen, em especial os Gol GTi, Denilson de Freitas Santos, o Deni da By Deni Studio comenta que cada unidade do esportivo nacional leva cerca de 14 meses para ficar pronta Segundo o restaurador, a fila de clientes a partir do primeiro orçamento, pode demorar aproximadamente 18 meses.
“Temos 13 anos de tradição em restauração de veículos clássicos da marca Volkswagen e hoje a oficina conta com 18 funcionários treinados para dar vida nova àquele antiguinho dos sonhos de infância e adolescência de muitos”, explica.
Segundo Deni, o maior obstáculo em um processo minucioso de restauração como esse envolve a ‘garimpagem’ de peças desses veículos com mais de 30 anos de fabricação, sendo que em último caso, algumas são reproduzidas de forma fidedigna mantendo o molde idêntico ao original. Com relação a valores, Denilson prefere não revelar valores, pois envolve uma série de fatores que vão além de um custo de peças e mão de obra.
“Geralmente, posto nas redes sociais as peças que estou procurando e em outros casos algumas pessoas com estoque antigo de unidades genuínas acabam me oferecendo, o que me ajuda bastante durante esse desafio no processo de restauração”, revela o empresário.
O PROJETO E A ORIGEM DO NOME GOL

Imagem: Divulgação
Gol (no Brasil) ou Golo (em Portugal) — uma expressão (do inglês goal, objectivo) — é o nome dado ao ato mais importante do jogo de futebol e esportes similares em que a bola ultrapassa por completo uma barreira imaginária entre as traves, definida por uma linha branca desenhada em cal no chão do gramado.
Coincidência ou não, a Volkswagen acertou em cheio ao batizar o projeto BX – criado em 1976 – do carrinho da marca alemã de Gol, um nome simples e de significado forte, vitorioso. Apesar de no início as vendas não terem emplacado como se previa, mais precisamente em 1980 quando o Gol foi comercializado, nos próximos anos as vendas começaram a ganhar fôlego.
A explicação para isso era com relação ao projeto, que era incompatível com a mecânica do velho Fusca, um boxer (cilindros opostos) refrigerado a ar de 1,3 litro (1.285 cm³) que rendeu míseros 47 cv.
Mais tarde a marca conscientizou-se de que não valia a pena, apesar de priorizar a economia e assim disponibilizou motor mais forte, o 1,6 litro com dupla carburação que ganhava 9 cv a mais em relação às versões de entrada Básica e L. Com as mudanças, o Gol passou a ganhar as siglas S e LS.
Somente em 1985, com exceção da versão de entrada BX, todo o restante da linha ganhava o motor com refrigeração a água, acompanhando os irmãos Voyage e Parati, lançados em 1981 e 1982, respectivamente.
Gol GT: o hatch esportivo da Volkswagen

magem: Divulgação
Desde 1980, o Gol veio com a missão, em parte pelo menos, de suceder o Fusca e a Brasília. Custando mais caro que o Fusca, por exemplo, o Gol só conseguiu liderar em 1987, já com a frente reestilizada, fato que o levou e leva até hoje a ser o carro brasileiro mais vendido. Mas desde 1984 já estava no mercado o Gol GT, um ícone de esportividade que era muito cobiçado pelos jovens da época. Sua missão: desbancar o Escort XR-3, lançado no mesmo ano.
A carroceria do Gol tinha sido baseada no desenho do Scirocco, formato hatchback. A intenção esportiva desta carroceria tinha como consequência um teto muito baixo para os passageiros de trás.
Além disso, tinha o problema do estepe, que, logo depois da adoção da refrigeração líquida, passou a ser alojado no porta-malas, roubando o espaço para possíveis valises ou malas. Mas como o GT era um carro cujo público-alvo eram solteiros, muitos nem ligavam para esta deficiência.
Para eles o que importava era o que se escondia debaixo do capô. Este sim era um motivo de orgulho para muitos proprietários destes esportivos. A VW resolveu adotar o motor AP-800 (Alta Performance) movido a álcool, vindo do Santana que graças à cilindrada de 1781 cc, tinha resultados fantásticos no desempenho.
Em relação ao concorrente direto, o Escort XR-3, o GT da Volkswagen era mais ágil. Rendendo excelentes 99 cv a 5400 rpm, o Golzinho de alma endiabrada cumpria muito bem a tarefa de 0 a 100 Km/h, em 11,88 s.
Em velocidade também não fazia feio e cravava a marca final de 180 km/h. Para se ter uma ideia, o representante da Ford, utilizando o velho motor CHT, uma revolução do antigo motor Renault vindo do Corcel, despejava apenas 81,7 cv a 5600 rpm, com aceleração de zero a 100 km/h em 13,45 s.
No Gol GT, o ronco encorpado que saía da dupla saída do escapamento era motivo de orgulho para os ouvidos mais apurados. No painel, o provocativo ponteiro do conta-giros denunciava que se tratava de um autêntico esportivo. Era um carro de personalidade como convinha a um esportivo dos anos 80.
As rodas de aro 14, calçando pneus nas medidas 185/60 R14 H, por exemplo, combinavam muito bem com o carro, que contrastava com as cores vibrantes da carroceria, como a vermelha.
Além deste item, ganhava a mais spoiler abaixo do para-choque, persianas nas colunas das portas, inscrição “GT” atrás das portas, faróis de milha e grade personalizada na cor do veículo. Internamente os bancos Recaro, painel de instrumentos com grafia vermelha e volante esportivo completavam o visual agressivo do GT.
Em 1987 a linha recebeu modificações na carroceria e acompanhando a mudança na linha o Gol GT incorporou com a adição do “S” as outras siglas. Para começar, tudo era novo em termos de estilo. A frente era mais baixa e ganhou novo capô, grade e faróis que harmonizavam ao pára-choque, o qual agora era de plástico injetado.
Os faróis de milha continuavam integrados no esportivo da VW. Atrás, novas lanternas e o aplique de um aerofólio faziam a diferença em relação às CL e GL. O GTS contava com alterações no motor 1.8, que passou a ter somente o álcool como opção, pois a potência era ligeiramente maior com este combustível.
Interessante o fato de a Volkswagen insistir que o Gol GTS tivesse apenas 99 cv de potência, apesar de estimativas indicarem que ele tivesse entre 105 cv e 110 cv Se a Volkswagen admitisse a maior potência, o carro seria taxado com imposto superior, daí o fato de o motor ter a potência nominal tão baixa.
GTi: O 1° CARRO NACIONAL COM INJEÇÃO ELETRÔNICA

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O Gol estreou a era da injeção eletrônica com o Gol GTi em 1989, considerado o primeiro automóvel nacional a ter esta tecnologia. Ao contrário do GTS, a versão injetada ganhava o motor 2.0 (AP-2000), somente a gasolina. Foi considerado também o carro brasileiro mais veloz.
Máxima de 173 km/h e zero a 100 km/h em 10,06 segundos, graças aos seus 125 cv a 5.800 rpm. Dois anos mais tarde, o Gol ganhou nova frente, agora mais arredondada, e, em 1992, a Volkswagen adotava o conversor catalítico em toda a linha como forma de atender às normas do Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – PROCONVE.

Imagem: Divulgação
Em 1995, entrava em ação o Gol GTI (desta vez, sem a letra ‘i’ minúscula) geração 2, o conhecido Gol Bolinha, apelido dado pelas formas arredondadas do modelo. O GTS não estava mais presente neste ano. A novidade eram os faróis de duplo refletor.
Para 1996, o GTI passou a ser equipado com propulsor 2.0 com 16 válvulas que deu mais fôlego ao carro. Com isso, a potência saltou para 145 cv (cerca de 36 cv de acréscimo ao 2.0 8V) e aceleração de zero a 100 km/h em 8,7 segundos (2,5 S a menos ao 2.0 8V).