Com um desempenho mais tímido no segmento de picapes grandes no Brasil, a Ford apostou na F-250 em 1998 – no mesmo ano que os EUA – como uma resposta à Chevrolet Silverado. Bem mais moderna que a antecessora F-1000, a novidade ficava a cargo da cabine mais espaçosa e da maior capacidade de carga. São 1.832 litros de caçamba, ou 752 l a mais que a sua ‘ancestral’.
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No nosso mercado, a F-250 esteve disponível até 2011, sendo que no norte-americano, a caminhonete seguia sendo vendida como modelo de entrada da marca. Por aqui, a linha era composta das versões XL, XLT e Super Duty, uma opção voltada para empresas e pequenos frotistas. É dessa safra, esta rara Turbo Diesel de 1999 que aponta com orgulho seus apenas 167 km originais.
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A raridade mantém tudo original de fábrica e conquistou três donos no auge dos seus 26 anos, sendo que o primeiro ficou por décadas ‘casado’ com ela. A parceria de anos acabou sendo interrompida por um triste acaso com o falecimento deste senhor. Seu passatempo favorito era passar os finais de semana admirando por horas as belas linhas da sua eterna companheira.
“A F-250 estava no galpão de uma chácara na região metropolitana de Curitiba por anos e quando eu comprei, fora a km que é muito baixa, fiquei impressionado com a preservação”, relata o empresário Gustavo de Oliveira, de Curitiba (PR).
Simplicidade faz parte da versão Super Duty
Imagem: Reprodução / Collectors Veículos
A Super Duty é uma das versões mais raras de serem encontradas, ainda mais nesse estado de 0 km, igual a de Oliveira. Ainda que seja espartana, é notória a qualidade dos materiais, em especial os plásticos, muito bem encaixados e sem rebarbas. Contudo, traz um painel bem completo e de fácil leitura da instrumentação.
Não há ar-condicionado e, nem ao menos, vidros elétricos. Nem mesmo o airbag para o motorista havia. Já a forração do assoalho é de borracha, ao invés do tradicional carpete.
À venda pela loja Collectors Veículos por R$ 375 mil, a F-250 Super Duty Turbo Diesel é uma daquelas peças para ser guardada no melhor cômodo da casa, ou melhor, da fazenda.
Para guiar a F-250 Cabine Dupla, só com CNH categoria C

Imagem: Reprodução / Collectors Veículos
Ao contrário da primeira Chevrolet Silverado que nunca chegou a ter a opção com cabine dupla, a Ford se gabava por oferecê-la a partir de 2003. Era um cenário que dava sinais de que um utilitário poderia oferecer muito mais às famílias do que levar apenas carga.
Para não comprometer drasticamente o volume da caçamba, e nem o conforto dos passageiros da segunda fileira, a F-250 cresceu quase um metro no comprimento. Manobrar seus 6.243 mm exigia habilidade, mérito só para os portadores da então Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Categoria C, conforme exigência no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Isso porque, fora o fato do tamanho abrutalhado, a picape ultrapassa as 3,5 toneladas – somados ao peso do veículo mais a carga (PBT – Peso Bruto total).
O motor da bruta é o mesmo Turbo Diesel que compunha algumas versões com cabine simples a exemplo da Super Duty que é o tema desta reportagem. No caso é o MWM Sprint de seis cilindros em linha de 4,2 litros de 180 cv de potência. Já o bom torque de 51 kgfm era despertado logo nos 1.600 giros, sempre em companhia do câmbio manual, de cinco marchas.
Em 2006, enfim, chega a tração 4×4

Imagem: Reprodução/ Collectors Veículos
Após o sucesso da F-250 com cabine dupla, a Ford resolveu, finalmente, incorporar à linha 2007 – apresentada no final de 2006 – a opção da tração 4×4 sob demanda. Pudera! A maior parte da clientela se resumia a fazendeiros e donos de propriedades rurais que sentiam falta de um veículo com capacidade de transpor cargas pesadas em terrenos irregulares com mais desenvoltura.
Combinado ao novo motor MaxPower de 3,9 litros, com 203 cv de potência e torque de 56 kgfm (a 1.500 rpm), o sistema integral poderia ser acionado com o veículo em até 80 km/h. Por meio de um seletor giratório, o motorista poderia escolher entre três modos. Além do 2WD (tração traseira), havia o 4X4 HIGH (tração nas quatro rodas para velocidades mais altas) e o 4X4 LOW, para transpor terrenos de difícil acesso. Segundo a Ford, a capacidade de carga da picape era de 1.150 kg e a de tração, 5.500 kg.
Ford F-250 deixa o Brasil após 13 anos de história
Com o mercado apostando na então nova Ranger, a Ford decidiu encerrar a produção da F-250 no final de 2011. Outro motivo foi a chegada do diesel S50 (50 mg/kg de enxofre), conforme o Autoo.
apurou na época. De acordo com fontes ligadas à fabricante, a picape feita em São Bernardo do Campo (SP) estava defasada para fazer qualquer investimento diante da então nova fase do Proconve (P7), vigorada a partir do dia 1º de janeiro de 2012. Após 13 anos de história, sai de cena uma das picapes mais emblemáticas da Ford.
As picapes Ford F-250 especiais

Imagem: Reprodução / Cia do Carro
Fundada em 1985 em Marechal Cândido Rondon (PR), em 1985, a Tropical Cabines chegou a desenvolver algumas interessantes variações da F-250. Entre elas, havia a Tropiclassic, versão “sedã” do F-250, e a cabine-dupla Tropicampo, com chassi normal ou alongado. Não menos importante, a F-250 também ‘reencarnou’ em um ‘corpo’ de perua, ou Station. Batizada de Tropivan, a perua se destacou pelo luxuoso interior e capacidade para até oito ocupantes.
Seja qual fosse a combinação, toda a transformação consistia na substituição das peças originais por kits feitos sob medida, conforme o modelo. Após a troca, os utilitários eram levados para a cabine de pintura e acabamento interno.
Com a saída da Ford em 2021, infelizmente a Tropical Cabines também encerrou suas atividades no mesmo ano. Desde a fundação, foram mais de 7 mil veículos especiais, incluindo F-Maxx, considerada a maior picape do Brasil, feita sobre chassi de caminhão.

Fernando Garcia
Especialista em anlises do mercado de veculos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilsticas e no AUTOO traz vrios artigos especiais com curiosidades, servios e dicas.