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Ford Corcel j teve aval de Senna e est como novo; veja preo da raridade

Com projeto originado da Willys e Renault, o Ford Corcel estreou no Brasil em 1968 para concorrer com o Volkswagen 1600 ‘Zé do Caixão’. Vendido como sedã de quatro portas, no ano seguinte veio o cupê de duas portas, batizado de Corcel II, que teve mais sucesso, permanecendo na segunda geração de 1977.

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Entre os concorrentes diretos, havia o Dodge 1800/Polara, Chevrolet Chevette e Volkswagen Passat, porém, em se tratando de espaço interno e acabamento, o Corcel II levava o troféu, sobretudo na luxuosa versão LDO (Luxury Decor Option, ou Opção de Decoração Luxuosa).

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Autoo encontrou um raro exemplar do Ford desta safra, mais precisamente de 1978, com interior monocromático que combinou elegantemente com a cor externa Marrom Florentino. Com seus invejáveis 45 mil km de história, Alex Fabiano, o GG, garante que tudo é original de fábrica, incluindo a pintura, sem retoques.  

“Trata-se de um espetacular Ford Corcel II 1978 na rara versão LDO, considerado o mais luxuoso dos modelos médios da época. Era o acabamento interno mais luxuoso do carro e o teto revestido de vinil, tudo original de fábrica”, explica.

O interior do LDO esbanja charme e beleza, sem excentricidades ou exageros. Os aconchegantes bancos com textura aveludada casam muito bem com o refinado tabelier e painéis de porta com apliques em imitação de madeira. A partir daí, a Ford se tornou referência para o que viria com o futuros Del Rey.

Ford Corcel II LDO 1978 com acabamento caprichado da versão topo de linha do final dos anos 70
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Voltando ao Corcel, o cluster traz apenas o trivial: velocímetro com odômetro total conjugado, um relógio analógico, marcador do nível de combustível e luzes de advertência. O volante de quatro raios é o mesmo empregado nos modelos Galaxie e Maverick e traz a mesma combinação monocromática dos demais arremates.

Ford Corcel II LDO 1978
Ford Corcel II LDO 1978 na rara cor original Marro Florentino e todos os detalhes vindos de fábrica
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

O clássico motor de origem Renault Cléon-Fonte 1.4 (1.372 cm³) parece que acabou de sair da linha de montagem de tão preservado. Esta unidade ainda mantém saudáveis 72 cv de potência e 11,5 kgfm de torque despejados nas 3.600 rpm, com a ajuda do câmbio manual de quatro marchas.

De acordo com Alex Fabiano, o Ford Corcel II LDO 1978 sem restauração está disponível por R$ 85 mil. O valor não chega a ser exagerado perto de outras versões mais simples e menos raras do fastback que já foram oferecidas a preços médios que vão de R$ 150 mil a R$ 180 mil.

A TRAJETÓRIA DE UM CORCEL PREMIADO

Ford Corcel
Ford Corcel da primeira leva que saiu da linha de montagem em São Bernardo do Campo, em Sâo Paulo
Imagem: Divulgação

Logo após a Ford brasileira ter adquirido a Willys Overland do Brasil, não demorou muito para lançar um carro com propostas familiares, econômicas, modernas e ainda que tivesse um desempenho satisfatório. A Willys e a Renault, depois de formada a parceria, desenvolviam o projeto “M” de carro médio. 

Lá na França, daria origem ao R12, um carro que fez muito sucesso naquele país. Aqui, sua carroceria ganhava um desenho diferente em relação ao irmão francês, mais adequado ao gosto do brasileiro. A plataforma e o conjunto mecânico foram projetados pela fábrica francesa, que era líder de vendas naquele país. 

Desta maneira, em 1968, o Corcel chegava ao mercado nacional, disputando um novo segmento com a concorrência, já que antes as únicas opções da montadora americana eram Ford Galaxie 500 e os utilitários F100.

O compacto de três volumes bem definido compreendia um estilo comportado, disponibilizado apenas na versão com quatro portas, motivo pelo qual era visto sempre nas praças como táxi. O espaço era consideravelmente agradável, suficiente para quatro ocupantes.

Ele não podia dizer o mesmo de seu motor de 1.372 cm³, ou 1,4 litro, porém era mais convidativo se for comparado ao seu concorrente direto, o Renault Gordini, com míseros 845 cc, lançado no mesmo ano do exemplar da Ford.

De linhas um tanto quanto conservadoras, porém sem perder o estilo atual para os padrões da época, o Ford Corcel era uma excelente opção para quem queria conforto, economia e, ao mesmo tempo, um bom acabamento, longe de qualquer crítica da imprensa especializada. 

A frente exibia faróis circulares estampados por uma enorme grade que os envolvia. No canto direito do capô, estava localizado o logo da Ford, denunciando a sua origem. Falando nisso, o capô ainda contava com um sistema exclusivo de abertura, ao contrário dos carros convencionais, justamente para evitar o destravamento dele, evitando assim sérios acidentes.

Os pequenos para-choques, assim como a grade, eram cromados, uma forte tendência dos veículos da época. Na traseira, o destaque eram as lanternas formando um conjunto harmônico com o resto da carroceria. O bocal para abastecimento estava camuflado pelo suporte da placa de licença, a qual, para abastecer, bastava puxar a placa, localizando assim a tampa do mesmo. 

As pequenas rodas nas medidas 13 x 4,5 pol. (opcionais: 13 x 5 pol.) recebiam calotas parciais cromadas que combinavam com o resto do conjunto. As rodas calçavam pneus 6,45 – 13 (opcionais: 185/70 SR 13).

Internamente, os bancos possuíam um desenho que inspirava conforto para quem os visse. Nas portas prevaleciam as maçanetas internas cromadas e a manivela do acionamento dos vidros, um sinal de que naquele tempo se valorizava o acabamento interno. 

Ford Corcel
Ford Corcel saiu primeiro nas versões com quatro portas, em 1968 e aspecto bastante simples
Imagem: Divulgação

O porta-malas era espaçoso, suficiente para abrigar duas grandes malas de viagem. A visibilidade era um dos grandes trunfos, graças às quatro portas e ao amplo campo de visão, principalmente nas manobras.

Com estes atributos, o compacto da Ford logo alcançou um bom desempenho nas vendas. Só para se ter uma ideia, no primeiro mês de produção foram vendidos 4.500, e perto de 50 mil já em 1969, graças a inovações tecnológicas, até então inéditas no Brasil, como, por exemplo, o circuito selado de refrigeração e coluna de direção bipartida, itens que a forte concorrência (Renault Gordini e VW Zé do Caixão) deixava a desejar.

O motor de quatro cilindros, posicionado longitudinalmente e fixado com cinco mancais de apoio do virabrequim, tinha 1,3 litro de cilindrada e apenas 68 cavalos-brutos de potência. Apenas para frisar: o Dauphine/Gordini usava apenas três mancais, daí a razão de o compacto da Ford ser mais resistente. 

Porém, o desempenho do motor não era suficiente para o peso de 930 kg do Corcel, de acordo com os resultados obtidos mais tarde durante testes de aceleração.

LINHA 69: CHEGA A VERSÃO CUPÊ

Ford Corcel I
Ford Corcel I passou a ter versão cupê em 1969, com certo apelo esportivo, com apenas duas portas
Imagem: Reprodução internet

No ano de 1969, a Ford disponibilizava a versão de duas portas, denominada Cupê, de estilo mais esportivo. O carro era basicamente o mesmo, com exceção da ausência das duas portas extras. Com este detalhe, a visibilidade ficou um pouco afetada, devido à coluna “C” ser ligeiramente mais inclinada. 

Assim como a versão de quatro portas, a de duas portas também era possível abaixar os vidros traseiros, conferindo mais conforto aos ocupantes. O sucesso do Corcel na versão cupê de duas portas foi tão grande que, na geração II, lançada em 1978 junto com a Belina, só era disponibilizado nesta configuração, abolindo de vez a versão com quatro portas.

Em 1971, com o sucesso de vendas (127 mil unidades), a Ford amplia a sua gama com a versão GT, uma proposta aos jovens da época que buscavam esportividade. As principais diferenças eram: grade dianteira e capô na cor preta fosca, teto revestido de vinil, rodas esportivas, faixas pretas laterais, faróis de longo alcance redondos. 

O grande destaque ficava pela carburação dupla e coletores especiais, porém seu desempenho ainda deixava a desejar em relação à sua vocação esportiva.  Então a Ford disponibilizou um novo motor para o seu GT, passando a se chamar Corcel GT XP (extra performance ou desempenho a mais). 

Agora o propulsor com 1.4 rendia bons 85 cv, cumprindo a tarefa de zero a 100 km/h em 17 segundos. A sua velocidade máxima ultrapassava facilmente a barreira dos 145 km/h.

Dois anos mais tarde, a linha Corcel e Belina (lançada em 1970) ganhava uma leve reestilização como grade, faróis, lanternas e capô, mas a maior mudança mesmo era o seu motor mais forte, uma heresia trazida de seu irmão mais vitaminado, o GT XP.

Em 1975 foi lançado o Corcel LDO. Era o mesmo carro, porém com requintes como painel, portas e bancos monocromáticos, rodas do GT, teto de vinil e grade cromada, entre outras peculiaridades. Assim, a linha Corcel resistiu até 1977, quando a Ford já divulgava as primeiras imagens da segunda geração do modelo.

O CORCEL II

Ford Corcel II em propaganda com Ayrton Senna, que tinha acabado de ser campeão na Europa
Ford Corcel II em propaganda com Ayrton Senna, que tinha acabado de ser campeão na Europa
Imagem: Reprodução

A segunda geração do Ford Corcel ganhou a denominação “II”, referindo-se à segunda reestilização que o modelo sofria, sendo um importante passo, uma vez que, com novos carros chegando ao mercado brasileiro, como o Dodge 1800 (1973), Chevrolet Chevette (1973) e VW Passat (1974), a Ford não poderia ficar parada.

Com desenho bastante moderno para a época, essa geração do médio da Ford só foi lançada com carroceria de duas portas e estilo fastback, com linhas do teto levemente caídas até a traseira. Agradou principalmente o público jovem da época. Internamente, o destaque era o interior bastante espaçoso e com portas enormes que favoreciam o acesso ao banco traseiro.

Para 1979, o Corcel passou a contar como opcional o motor 1.6 (1.555 cm³), que, foi o primeiro carro nacionak com câmbio de 5 marchas, com relações mais longas, garantia bons 90 cv de potência bruta.

Foi nesse período que o Corcel ressuscitou a versão GT, visando os concorrentes Volkswagen Passat TS e Chevrolet Chevette GP. Por fora, vinha com pintura em dois tons, para-choques em preto fosco, faróis de neblina, rodas personalizadas com sobrearo e faixas decorativas vermelhas. Internamente, volante de três raios, bancos especiais e cluster completo com conta-giros ao centro estavam entre as principais diferenças.

Ainda no mesmo ano, o Ford ganhou piscas dianteiros brancos e lanternas traseiras com novas lentes, mas, em 1980, foi a vez dos para-choques redesenhados e com polainas plásticas. No ano seguinte, as lanternas mudaram novamente, com frisos pretos, e na frente, um friso prata contornava o recorte dos faróis e da grade.

Após o lançamento das séries especiais 5 Estrelas (1982) e Campeões (1983), a maior mudança ocorreria na linha 1984 com algumas atualizações no propulsor 1.6. Batizado de CHT (Compound High Turbulence), na versão a álcool a potência chegava a 73 cv. Além desse, estreou também o 1.3 derivado do CHT, que extraía ‘modestos’ 62 cv.

Em 1985, o Corcel (junto à Belina) ganhou sua última mudança estética, concentrada na parte frontal, com novos faróis em formato trapezoidal e grade com mais filetes. Por dentro, o painel era semelhante ao do Del Rey. Nessa fase, chegava também a série especial Astro.

Fabricado no Brasil, de 1968 até 1986, o Ford Corcel chegou a ganhar alguns feitos importantes, como a eleição feita pela revista Auto Esporte como “O Carro do Ano” em 1969, 1973 e 1979. Durante seus 18 anos de produção, somou 1,4 milhão de unidades produzidas e a popularidade dele rendeu “frutos”, como as peruas Belina e Del Rey Scala, a picape Pampa e o sedã Del Rey.

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