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Logo após a reunião, em coletiva de imprensa, Flávio Bolsonaro afirmou que fez um pedido enfático ao presidente americano.
“Pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras”, declarou o senador.
O parlamentar justificou o pedido citando o avanço do crime organizado no Brasil e criticou a postura do governo Lula.
“Enquanto o Lula vai de joelhos para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como CV e PCC como terroristas, eu faço o contrário. Nós temos aí um em cada quatro brasileiros morando em áreas dominadas por facções criminosas que impõem suas próprias regras”, disse o presidenciável.
A posição do governo Lula
A posição de Flávio contrasta diretamente com a defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo brasileiro avalia que a classificação das facções como terroristas pelos EUA poderia abrir margem para ações militares extraterritoriais e uma intervenção indevida na soberania nacional. Em encontro com Trump no início de maio, Lula defendeu a criação de um grupo de trabalho multilateral de combate ao crime organizado, em vez de ações unilaterais.
Detalhes e bastidores da reunião
O encontro no Salão Oval foi rápido. Membros da comitiva brasileira relataram que entregaram documentos a assessores da Casa Branca e entraram no recinto apenas para o registro fotográfico. Segundo fontes, Trump não chegou a se levantar para receber os brasileiros. Apesar disso, Flávio Bolsonaro disse que o presidente americano prometeu analisar o pedido de classificação das facções.
Motivação eleitoral e outros temas
A viagem a Washington ocorre em um momento delicado para a campanha de Flávio. A divulgação de sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afetou suas intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha. O senador recuou de 35% para 31% no primeiro turno, enquanto o presidente Lula oscilou para 40%. Com o encontro, o pré-candidato busca desviar o foco da crise e demonstrar trânsito internacional.
Além da classificação das facções, Flávio afirmou ter discutido com Trump temas como tarifas comerciais, terras raras e a integração do Brasil ao Escudo das Américas, uma coalizão criada pelos EUA para combater o crime organizado, caso seja eleito. O senador também recebeu do presidente americano uma “challenge coin”, uma moeda militar comemorativa. A reunião foi articulada por Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos há mais de um ano.
