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Exposição de Portinari na China mostra a força do soft power brasileiro – Times Brasil


A arte brasileira pode ser uma poderosa ferramenta diplomática. Sessenta obras originais de Candido Portinari ocuparão as galerias do Museu Nacional da China, em Pequim, de 9 de junho a 10 de outubro. Durante quatro meses, são esperados mais de 4 milhões de visitantes no segundo museu mais visitado do mundo, atrás apenas do Louvre.

“O Brasil de Portinari” chega à Ásia com raro peso institucional e simbólico. A iniciativa reúne o patrocínio máster da Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o apoio do Ministério da Cultura e das Relações Exteriores, da Embratur, do Grupo Pátria Investimentos e do Escritório Veirano. E traz à frente João Candido Portinari, filho único do artista e fundador do Projeto Portinari, conduzindo pessoalmente a curadoria das obras que farão esta viagem pelo Pacífico.

A escolha da China não é casual. Em 2025, o intercâmbio bilateral entre Brasil e China atingirá recorde histórico de US$ 171 bilhões, mas o volume negociado com a UE será o mesmo no mesmo período. A China responde por 27,2% do comércio do Brasil e é o principal parceiro comercial do país desde 2003.

As empresas chinesas acumularam mais de US$ 77 bilhões em projetos brasileiros desde 2007. É nesse contexto econômico e diplomático que Portinari chega a Pequim como o mais eloquente embaixador cultural que o Brasil poderia enviar.

Uma exposição abrangente do “Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026”, agenda bilateral prevista na Declaração Conjunta sobre a Comunidade do Futuro Compartilhado, e funciona como evento-âncora de uma programação que inclui ainda a Ocupação Brasil no Distrito Creative 798, o Festival Internacional de Forró Raiz e a participação brasileira como convidado de honra no China Shanghai International Arts Festival.

O curso da amostra é dividido em duas partes. A primeira reunião é de 60 originais organizados em quatro núcleos temáticos: a infância e o lirismo afetivo de Brodowski; o drama social dos retirantes e trabalhadores rurais; como festas populares, o carnaval e o sincretismo religioso; e, por fim, o processo criativo do artista, dos esboços às grandes telas.

A segunda parte traz a curadoria de Marcello Dantas em uma experiência imersiva monumental, com projeções de grandes temas portinarianos que transformam o espaço físico em algo sensorial e coletivo.

O que uma exposição demonstra vai além da arte. Ela revela que cultura é estratégia e que soft power pode ser uma poderosa ferramenta diplomática. Quando João Candido afirma que seu pai “pintava a condição humana com tantas brasileiras”, ele enuncia exatamente o que diferencia Portinari de qualquer outro ativo cultural que o Brasil poderia projetar no exterior: uma obra que é profundamente local e ao mesmo tempo universalmente reconhecível.

A chegada do Museu Nacional da China coincide com o Fórum Global de Diretores de Museus, reunindo em Pequim os principais nomes do setor mundial. Difícil imaginar vitrine maior. A arte de Portinari, que em 1957 o poeta Rafael Alberti já queria levar ao povo chinês, finalmente compreende esse destino. Com 65 anos de atraso, mas com todo o impacto que o momento pede.

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