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Explosão de tilápias faz pesqueiro liberar pesca sem limite de quilos

Pesqueiro já liberou mais de 2,5 toneladas de tilápia – e foi só começo / Reprodução/MIDR

Uma situação inusitada chamou a atenção de pescadores no Oeste de Santa Catarina: a superpopulação de tilápia em um pesqueiro levou os responsáveis pelo local a liberar a retirada da espécie sem limite de quilos.

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A estratégia já resultou na retirada de mais de 2,5 toneladas de peixe e ainda deve continuar nas próximas semanas. A expectativa é que outra 1,5 tonelada seja retirada até o fim da ação.

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A iniciativa ocorre no Pesqueiro Paiol Santa Madre, onde o excesso da espécie começou a interferir na pesca esportiva de peixes maiores.

Por que a tilápia se multiplica tão rápido

A tilápia é conhecida pela alta capacidade de reprodução. Segundo o pesquisador em piscicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Bruno Correa da Silva, a espécie pode se reproduzir diversas vezes ao longo do ano.

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O período mais intenso ocorre quando a temperatura da água ultrapassa 22 °C, normalmente entre setembro e abril. Além disso, o peixe atinge maturidade sexual por volta dos nove meses de idade.

De acordo com o pesquisador, uma fêmea pode desovar uma vez por mês ou até a cada 20 dias, liberando até 2 mil ovos por quilo de peso.

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Essa característica faz com que a população cresça rapidamente em ambientes fechados, como tanques de pesqueiros.

Excesso de peixe pode causar desequilíbrio

Embora não represente risco sanitário direto, o excesso de peixes pode gerar desequilíbrio no ambiente aquático. Quando há muita biomassa no tanque, ocorre maior consumo de oxigênio dissolvido na água.

Esse cenário pode prejudicar o desenvolvimento de outras espécies e até provocar mortalidade de peixes.

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Por esse motivo, sistemas comerciais de piscicultura costumam utilizar alevinos revertidos — praticamente apenas machos — justamente para evitar reprodução excessiva.

Por que a tilápia atrapalha a pesca esportiva

No pesqueiro catarinense, a tilápia foi inicialmente introduzida como alimento natural para peixes predadores maiores. Com o tempo, porém, a espécie passou a se multiplicar rapidamente e começou a interferir na dinâmica da pesca esportiva.

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Segundo o sócio-proprietário do pesqueiro, Adriano Diniz Rodrigues, as tilápias acabam sendo fisgadas antes dos peixes maiores.

Isso acontece porque, durante a pesca com cevadeira, quando a ração é lançada na água, as tilápias chegam primeiro. “Se deixar, elas acabam atrapalhando a pesca esportiva”, explica o empresário.

Tanque gigante dificulta retirada com rede

O principal tanque do pesqueiro possui cerca de 130 metros por 70 metros, dimensão comparável a um campo de futebol. No local vivem mais de 16 toneladas de peixes, com exemplares que variam entre 2 kg e 42 kg.

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Entre as espécies presentes estão:

  • jaú
  • pintado
  • cachara
  • tambacu
  • tambatinga
  • patinga
  • dourado
  • carpa cabeçuda
  • carpa húngara

A maior parte da biomassa é composta por tambas, com cerca de 8,5 toneladas. Devido ao tamanho do tanque e à quantidade de peixes, a retirada com rede seria um processo complexo e caro.

Seria necessário baixar o nível da água, contratar mão de obra especializada e interromper o funcionamento do pesqueiro por cerca de duas semanas.

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Estratégia também atrai pescadores

Diante do cenário, a solução encontrada foi simples: permitir que os pescadores levem todas as tilápias capturadas sem custo adicional.

Normalmente, em pesqueiros do tipo pesque e pague, o peixe levado para casa é cobrado por quilo. Neste caso, o cliente paga apenas a diária de pesca.

A medida acabou tendo também um efeito inesperado: atraiu novos visitantes ao local. “Muita gente veio pescar tilápia e acabou conhecendo a pesca esportiva”, afirma o empresário.

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Segundo ele, alguns pescadores chegam a capturar 20 kg ou até 50 kg de peixe em um único dia, enquanto outros podem sair sem nenhuma captura.

Desafio para a piscicultura

Especialistas apontam que o caso demonstra um desafio comum em ambientes controlados.

A tilápia se adapta facilmente a diferentes condições e pode dominar rapidamente tanques e viveiros se não houver manejo adequado.

Para pesquisadores e produtores, o controle populacional é essencial para manter o equilíbrio do sistema e garantir o desenvolvimento de outras espécies.

Enquanto isso, no pesqueiro catarinense, a retirada liberada continua — e já transformou um problema ambiental em uma nova oportunidade para pescadores da região.

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