Dados divulgados nesta semana pela Genial/Quaest apontam que 59% dos eleitores evangélicos defendem que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve concorrer à Presidência da República em 2026, mesmo com sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O percentual revela a manutenção de um apoio significativo desse segmento religioso ao ex-chefe do Executivo.
Para analisar os motivos dessa sustentação, três líderes religiosos ofereceram interpretações distintas. O pastor Samuel Silva, mestre em História e líder do Projeto Refúgio em São Paulo, avalia que o apoio está mais vinculado a uma reação contra partidos de esquerda do que à figura de Bolsonaro.
“Os cristãos têm se tornado cada vez mais antiesquerda. Isso ocorreu por causa de uma clareza sobre as pautas da esquerda, de um entendimento maior sobre a fundamentação comunista nesses partidos”, afirmou Silva. Ele acrescentou que o PT “continua sendo um filisteu na seara dos evangélicos por causa das pautas contrárias aos valores e princípios cristãos”.
Já o pastor Evaldo Carlos, da Primeira Igreja Batista da Praia da Costa (ES), vê na imagem de Bolsonaro um elemento de seriedade no combate à corrupção.
“Creio que muitos evangélicos veem no ex-presidente um exemplo de seriedade na política, gestão pública e de enfrentamento a corrupção no país”, disse. Ele listou três critérios que, em sua opinião, os evangélicos observarão no candidato: produtividade legislativa, valores defendidos e honestidade.
O pastor e acadêmico Geraldo Moyses Gazolli Junior, mestre em Ciências da Religião, aponta que Bolsonaro é percebido como um “baluarte cultural” de causas caras ao segmento. “Muitos acreditam que a oposição a Bolsonaro é, em parte, também uma oposição às pautas conservadoras que eles defendem. Nesse contexto, a fidelidade não é tanto à pessoa em si, mas ao que ela representa”, explicou.
Gazolli Junior ressalvou, no entanto, que o cenário político é dinâmico e pode mudar até 2026. “Caso surja uma alternativa na direita capaz de encarnar esses princípios com credibilidade, parte do eleitorado pode migrar”, ponderou.
Ele finalizou afirmando que o voto deve ser um “exercício de consciência diante de Deus”, baseado em princípios bíblicos como justiça, verdade e defesa da vida, e não apenas em “paixões políticas”. Com informações: Comunhão.