O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (10) uma ajuda de US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 85 milhões) à Colômbia para atender à emergência causada pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na manhã de ontem. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado por meio de sua conta oficial na rede social X.
De acordo com a nota, os fundos serão destinados a “refúgios de emergência, alimentos, proteção e avaliações dos danos” causados pelo sismo. O Departamento de Estado expressou solidariedade à população colombiana: “Estamos unidos em oração com o povo colombiano e estamos prontos para apoiar o presidente e seu governo enquanto avaliam as necessidades no terreno”.
Antes mesmo da oficialização da ajuda, o secretário de Estado, Marco Rubio, já havia oferecido apoio a Bogotá e afirmou que o órgão monitorava a situação e estava preparado para colaborar com as autoridades colombianas. Rubio também orientou cidadãos americanos na Colômbia a se inscreverem no site do Departamento de Estado e a seguirem as contas oficiais da Embaixada em Bogotá para receber assistência e informações verificadas.
O senador republicano Bernie Moreno, nascido em Bogotá, também manifestou apoio, afirmando que os Estados Unidos estão prontos para apoiar seu “grande aliado” e destacou a liderança do recém-empossado presidente colombiano.
Contexto político e relação bilateral
A rápida mobilização americana ocorre em um contexto de aproximação entre Washington e o novo governo colombiano. O presidente Abelardo De la Espriella, que assumiu o cargo na sexta-feira (7) em substituição a Gustavo Petro, é considerado um aliado próximo do presidente americano Donald Trump, que respaldou sua candidatura.
Dias antes do terremoto, os EUA já haviam celebrado a posse do novo governo e anunciado a intenção de destinar US$ 1 bilhão à Colômbia para um pacote de segurança, em um movimento que contrasta com as tensões que marcaram a relação durante a gestão anterior. Essa proximidade política explica, em parte, a rapidez com que Washington ativou a ajuda, apenas horas após o tremor.
Impacto do terremoto
O terremoto, segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC), teve epicentro no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, na costa do Pacífico, e ocorreu às 7h34 no horário local. O tremor foi sentido com força em Bogotá, Cali, Medellín, Manizales, Pereira, Armênia e Popayán, além de ter sido percebido no Equador e no Panamá.
O balanço oficial mais recente aponta ao menos 111 mortos e 87 feridos. As cidades do Eixo Cafeeiro, especialmente Manizales e Pereira, estão entre as mais atingidas, com desabamentos de edifícios e danos na infraestrutura, como no Aeroporto Internacional Matecaña. A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, relatou feridos e danos graves em Quibdó, capital do departamento, embora o epicentro tenha sido localizado longe da área urbana.
O governo colombiano declarou estado de desastre nacional horas após o sismo. O vice-presidente, José Manuel Restrepo, deslocou-se a Manizales para coordenar a resposta à emergência e anunciou que trabalhará com o Ministério das Relações Exteriores para viabilizar a chegada de recursos e apoio internacional.
Com as operações de busca e resgate ainda em curso, o desafio para o novo governo é duplo: canalizar com eficácia a ajuda internacional e demonstrar capacidade de gestão em sua primeira crise, apenas três dias após ter assumido o poder.