A política piauiense se movimenta incansavelmente nos bastidores rumo às eleições de 2026. Ela está submetida a uma regra de sobrevivência que vai muito além das tradicionais coligações. As estratégias partidárias no Piauí devem levar em consideração o modelo das federações, que diferente das antigas alianças temporárias, que se desfaziam logo após a apuração dos votos, impõem uma aliança com duração mínima de quatro anos.
No Piauí, o bloco governista busca equilibrar o crescimento esmagador do PT tentando não sufocar siglas menores como o PCdoB e o PV. Já a oposição, se reorganiza em meio a encerramentos como o da federação PSDB-Cidadania, e ao surgimento de superblocos que prometem alterar o peso das bancadas na Assembleia Legislativa (Alepi) e na Câmara Federal.
A dinâmica da janela partidária funcionou como o verdadeiro motor dessas articulações de bastidor. Esse período legal permitiu uma intensa movimentação, na qual deputados e lideranças reconfiguraram suas alianças e estratégias com o objetivo de sobreviver no pleito eleitoral e cumprir a cláusula de desempenho.
No Piauí, esse movimento consolidou duas frentes de impacto, troca-troca de siglas que mexeu no tamanho das bancadas e os afastamentos silenciosos dentro da própria base governista.
Partido dos Trabalhadores se expande e aliados permanecem paralisados com estratégias partidárias no Piauí
Enquanto o PT expande o número de suas bancadas na Assembleia Legislativa, Câmaras Municipais e assume o comando de dezenas de prefeituras, os demais membros da federação perdem nomes ou permanecem estagnados, sem ganhar cadeiras novas no Legislativo ou no Executivo piauiense.
Em 2020, o Partido Verde detinha a cadeira da deputada Teresa Britto na Alepi. Após a formação da federação em 2022, a sigla perdeu a vaga na Assembleia e não conseguiu retomar o espaço nas eleições seguintes. Embora a federação tenha alavancado a votação de Jadyel Alencar (que concorreu como Jadyel da Jupi) para a Câmara Federal em 2022, pouco tempo depois, em 2023, Jadyel Alencar acionou a Justiça para sair da sigla e se filiou ao Republicanos. O partido enfrenta dificuldades para expandir suas bases ou emplacar novas lideranças no Executivo.
O PCdoB também mantém um número pequeno de representantes com cargos. Na Assembleia Legislativa, possui a deputada estadual Elisângela Moura. Nos municípios do interior do Piauí, o partido consegue garantir algumas cadeiras pontuais em câmaras menores, geralmente puxado por candidatos fortes no setor de movimentos sociais e sindicatos rurais, mas a sua presença é considerada tímida no mapa geral do estado.
Movimentações nos bastidores: PV filia nomes de destaque; PCdoB foca nos municípios
Começando as articulações do Partido Verde (PV), Teresa Britto, vice-presidente nacional da sigla e sua maior liderança no Piauí, confirmou sua pré-candidatura para a Alepi em 2026. Britto foi eleita quatro vezes vereadora de Teresina, de 2003 a 2018, ano em que conquistou uma vaga como deputada estadual. Ela concorreu à reeleição no pleito seguinte, mas perdeu.
À esquerda, a vice-presidente nacional do Partido Verde (PV), Teresa Britto; à direita, José Carvalho, presidente do diretório estadual do PCdoB no Piauí.Foto: Montagem/Divulgação/ND MaisDurante a janela partidária, ela filiou Enzo Samuel, atual presidente da Câmara de Teresina, que pretende concorrer a deputado estadual. Outro nome que agregou à sigla foi Charles Pessoa, ex-coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), que também visa a Assembleia Legislativa. Outro nome de destaque que fortalece o grupo é o deputado estadual Ziza Carvalho.
O PCdoB segue um caminho diferente e foca suas filiações no interior do estado. Sem estrutura para bater de frente com os partidos grandes nas maiores cidades, a sigla aposta em lideranças de municípios menores, vindos de sindicatos rurais e movimentos sociais. É essa estratégia que mantém o partido vivo, garantindo votos no interior para tentar segurar suas vagas nas Câmaras e na Assembleia Legislativa.
MDB e PSD têm divergências e encerram “fusão cruzada”
Para as eleições de 2026, o MDB e o PSD decidiram encerrar a “fusão cruzada”, prática em que dois partidos fazem um acordo para que seus filiados pleiteiem vagas ou para deputado estadual, ou para deputado federal, nunca para as duas. Por exemplo: os filiados do partido A só concorrem a vagas na Assembleia Legislativa, enquanto os do partido B só poderão concorrer a vagas na Câmara dos Deputados.
Tanto o MDB quanto o PSD decidiram que agora vão montar chapas completas. Ou seja, os dois partidos vão ter candidatos tanto para a Assembleia Legislativa (Alepi) quanto para a Câmara Federal, em Brasília.
Aliança PSDB, Cidadania e Podemos
O PSDB, o Cidadania e o Podemos fecharam um acordo estratégico no Piauí com a ideia de somar forças, estruturas e tempo de TV. Para definir quem vai liderar o grupo, cada sigla lançou um candidato e ficou combinado que o nome que estiver na frente nas pesquisas de opinião encabeçará a chapa majoritária do bloco.
O PSDB oficializou o nome da médica Lúcia Santos como pré-candidata ao Palácio de Karnak; o Podemos apresentou o ex-deputado federal Mainha (José Maia Filho); e o Cidadania apostou na figura do ex-deputado federal Jesus Rodrigues. Com isso, as siglas tentam bater de frente com o bloco petista nas eleições de 2026.
Psol e Rede Sustentabilidade descarta união com PT e lança chapa majoritária no Piauí
Assim como acontece nacionalmente, o PSOL e REDE Sustentabilidade atuam de forma unificada no estado, mas enfrentam desafios específicos na política piauiense. Para garantir um palanque de oposição pela esquerda, a federação decidiu não se alinhar ao grupo de Rafael Fonteles (PT).
O bloco lançou oficialmente o nome de Gisvaldo Oliveira (PSOL) como pré-candidato ao Governo do Piauí e ao Senado Federal, a aposta é a pré-candidatura de Francinaldo Silva (PSOL).
A Força da Federação União Progressista
Com extrema força, a aliança entre União Brasil e Progressistas possui condições concretas de ganhar ainda mais espaço dentro da Assembleia Legislativa do Piauí e da Câmara dos Deputados no pleito de 2026.
Detendo o comando de prefeituras estratégicas localizadas nos principais pólos econômicos do estado, a engrenagem partidária do Progressistas consiste em articulações voltadas para a consolidação de um “chapão” proporcional capaz de otimizar o quociente eleitoral, ao mesmo tempo em que utiliza o peso político desses municípios para capilarizar o palanque majoritário da oposição no interior e bater de frente com o bloco governista.
A federação lançou o nome do ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues, para liderar o grupo. Ele, que concorreu ao Senado nas eleições de 2022 e obteve uma votação expressiva no estado, teve seu nome consolidado para encabeçar a chapa majoritária com base no forte capital político conquistado naquele pleito.