O Ford Escort XR3 foi lançado no Brasil em 1984 e, a partir dele, no ano seguinte, veio a cobiçada versão conversível. Não demorou para se tornar um dos sonhos de consumo do brasileiro. Até o piloto Ayrton Senna teve algumas unidades do clássico esportivo.
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No ano de 1987, ganhou a sua primeira reestilização (Mk4) que deu ao XR3 um toque ainda mais esportivo. Nessa fase, o conversível da Ford passou a contar com a capota elétrica, igual ao deste exemplar da GG World Premium Classic Cars, o qual ainda contava com direção hidráulica e ar-condicionado, vendidos como opcionais.
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O XR3 é de 1990 e, para o deleite dos mais exigentes colecionadores, o exemplar nunca foi restaurado. Em 35 anos, foram acumulados inacreditáveis 14 mil km, uma joia que, para os mais endinheirados, vale cada centavo.
Durante o fechamento desta reportagem, soubemos que este conversível já havia sido vendido. Questionado, Alex Fabiano nos contou que o exemplar foi para uma coleção particular de Chuí (RS) cidade localizada no extremo sul do Brasil, a 525 km da capital Porto Alegre.
“O nosso Ford Escort XR3 conversível vermelho foi vendido recentemente para um entusiasta e colecionador pelo preço de R$ 280 mil”, revelou.
A quantia é equivalente à de uma picape Ford Ranger 2025/2026 0 km, na versão XLS 2.0 Diesel 4×4. Esse é o preço que se paga só para se ter o gostinho de ter um dos Escort XR3 conversíveis mais novos do Brasil.
O ESCORT NO BRASIL
Imagem: Divulgação
O Ford Escort é considerado o primeiro carro global desenvolvido pela montadora norte-americana e foi lançado no Brasil a partir da sua terceira geração (Mk3) em 1983. Oferecido apenas na configuração hatch, as opções eram conhecidas como Básica, L, além da intermediária GL, a luxuosa Ghia e a esportiva XR3 (Experimental Research 3, pesquisa experimental 3).
A extravagância ficou a cargo da série especial Pace Car. Acontece que o recém-chegado XR3 havia virado carro-madrinha do GP Brasil de F1 de 1984. Com isso, a Ford se inspirou a produzir 350 carros da série Pace Car idênticos ao original.
A estratégia lhe rendeu destaque na mídia com o piloto Ayrton Senna como “garoto propaganda”. Muitos disseram já ter visto o próprio Senna pelas ruas de São Paulo pilotando duas instigantes unidades do esportivo, uma na cor vermelha e outra prata.
Entre os motores, os primeiros XR3 vinham com propulsor CHT 1.6 com 65,3 cv (gasolina) e 73,4 cv (etanol), sempre com transmissão de cinco velocidades. No final do ano, a potência no XR3 foi ampliada para 82,9 cv.
Por falar em velocidades, o Ford tinha um desempenho notável para a época. Na versão fechada, dados de época indicavam uma aceleração de zero a 100 km/h em respeitáveis 13,4 segundos. Na velocidade final, ela atingia pouco mais de 160 km/h. No modelo com teto retrátil, por conta do peso extra dos reforços estruturais da carroceria, o 0-100 km/h era ligeiramente mais lento, fazendo 13,9 s.
Disponível com três ou cinco portas, o hatch da Ford incorporou as modernas suspensões traseiras independentes. O visual bonito e agressivo que se tornou sonho da molecada nos anos 1980 foi sem dúvida a XR3. Dentro dessa linha, os mais abonados podiam encomendar a conversível, surgida a partir de 1985. A parceria para a transformação do cabriolet vinha da extinta Karmann Ghia do Brasil, com sede em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, onde também se instalava a Ford.
A modernidade no Escort também veio na linha 1987, quando ganhou a sua primeira reestilização (Mk4). O desenho, assim como o anterior, seguia o da matriz europeia, com para-choques de plástico e envolventes, ausência de grade frontal e lanternas traseiras lisas, além de novo interior, detalhes que deram ao novo carro um ar mais esportivo, especialmente nas variantes XR3.
No conjunto mecânico, o CHT ganhou cerca de 3 cv de potência, mas, em contrapartida, perdeu os charmosos faróis de neblina e o lavador de faróis, que era disponibilizado como opcional na linha XR3. No entanto, os de milha foram preservados. Além dessas mudanças, na parte interna, havia novo painel, bancos e vidros com acionamento elétrico. O teto solar, bem como o ar-condicionado, continuavam sendo oferecidos à parte.
CHEGADA DO MOTOR AP-1800S

Imagem: Divulgação
Com a criação da joint venture Autolatina entre a Volkswagen e a Ford, em 1989, o Escort ganhou motores da família AP da Volkswagen. Nas versões mais mansas, AP1800 com 90 cv, às versões GL (opcional) e Ghia do Escort. Já o AP-1800S de 99 cv era destinado aos esportivos XR3 e XR3 Conversível.
Ainda em 1989, chegou a edição Super Sport, disponível só na cor branca. Ficou conhecida como Benetton, na época, patrocinadora da equipe de Fórmula 1, que usava propulsores Ford. Trazia filetes de para-choques (pintados na mesma cor da carroceria) e frisos na cor verde, mesmo tom dos detalhes dos revestimentos dos bancos.
Em 1991, chegou o XR3 Fórmula, disponível somente nas cores azul Denver e vermelha Munique e com tiragem de somente 754 carros. De especial, havia a suspensão ativa, o primeiro nacional a contar com o recurso eletrônico, disponibilizado mais tarde nas versões “normais” do esportivo.
Para 1992, último ano dos Escorts Mk3, veio o catalisador, um recurso instalado no sistema de escapamento que visa reduzir as emissões de poluentes.
SEGUNDA GERAÇÃO DO ESCORT XR3 NO BRASIL

Imagem: Divulgação
A segunda geração do Escort só veio em 1993. Na esportiva, o motor AP-2000 era o mesmo do Volkswagen Gol GTI com injeção multiponto que garantia respeitáveis 115,5 cv. Com um torque de 17,7 kgfm a 3.400 rpm, o tempo de aceleração era reduzido para bons 9,7 segundos, só 0,6 s a mais que o rival da marca alemã.
Em comemoração aos 75 anos da participação da Ford no Brasil, no final de 1993, foi lançada a XR3 Special Edition 75, com produção de apenas 175 unidades. Além da combinação de cores preta e dourada, a edição especial já trazia de série bancos Recaro, antena elétrica e sistema de som com equalizador, opcionais no XR3 comum.
Para a tristeza dos fãs, em 1995, a Ford declarou o fim do XR3. Em seu lugar, em 1996, a Ford trouxe da Argentina a Racer (sem opção conversível), que perdurou apenas naquele ano. Em 1998, foi lançada a versão RS com o mesmo motor Zetec 1.8 16V de 115 cv dos modelos Hatch, Sedan e SW.
Em 2003, após 20 anos no Brasil, o Escort se despediu do Brasil, acumulando mais de 1 milhão de unidades vendidas e muitas histórias e lembranças para contar.