A Justiça do Rio de Janeiro determinou a retirada do nome do empresário e investidor do Feira Futebol Clube, Bruno Karttos, de uma investigação sobre um suposto esquema de apostas ilegais, golpes contra apostadores e lavagem de dinheiro.
A decisão ocorreu após a defesa do empresário apresentar documentos que, segundo apuração do Aratu On, demonstraram que Bruno não integrou o quadro societário da empresa que havia motivado sua inclusão entre os alvos da investigação.
Conforme os documentos encaminhados à reportagem nesta quarta-feira (2), o empresário havia sido citado por supostamente ter participação na empresa investigada. A defesa, porém, apresentou informações que apontaram que ele não fazia parte da sociedade e que não foram identificadas relações entre Bruno e a empresa.
Diante das informações, o Ministério Público reconheceu que a premissa utilizada para incluir o empresário entre os investigados não se sustentava e pediu a retirada de seu nome da ação.
A Justiça acolheu a manifestação e determinou, além da exclusão de Bruno da investigação, o desbloqueio dos valores relacionados a ele, a devolução integral dos bens apreendidos e a cessação do afastamento dos sigilos bancário e fiscal. Com a decisão, Bruno deixa de figurar como alvo da investigação.
Relembre a operação
A investigação na qual o nome de Bruno Karttos apareceu apura um suposto esquema envolvendo apostas online que teria movimentado mais de R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026. A apuração integra a Operação “Aposta Suja”, conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Gaeco do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Durante a operação, foram apreendidos dinheiro em espécie, incluindo moeda estrangeira, além de um tablet, um celular e dois veículos de luxo.
Segundo as investigações, os alvos são suspeitos de integrar uma organização criminosa que explorava ilegalmente o mercado de apostas online, aplicava golpes contra usuários e utilizava mecanismos para lavagem de dinheiro.
Como funcionaria o esquema de apostas
De acordo com as investigações, o grupo operava por meio de diferentes sites de apostas que não possuíam autorização do Ministério da Fazenda. Os depósitos realizados pelos usuários seriam direcionados para empresas de fachada. Algumas das plataformas, segundo as apurações, dificultavam ou impediam que apostadores sacassem valores disponíveis nas próprias contas.
Ainda conforme o Ministério Público, os recursos obtidos pelo grupo teriam passado por diferentes mecanismos para ocultar sua origem. Entre eles estariam a conversão de dinheiro em criptoativos, a pulverização de valores em diversas contas bancárias e o envio de quantias para o exterior.
O objetivo seria dificultar o rastreamento dos recursos e posteriormente reinseri-los na economia formal. As investigações identificaram movimentações financeiras de dezenas de milhões de reais envolvendo empresas e pessoas investigadas. Segundo dados de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foram registradas mais de 800 comunicações de operações consideradas suspeitas entre 2022 e 2026.
As movimentações analisadas ultrapassam R$ 1,4 bilhão. Desse total, mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados isoladamente por uma das empresas investigadas.
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