“Eu conheço sua raiva, conheço seus sonhos. Fui tudo o que você queria ser”.
Os versos de Living Color, escritos nos anos 1980, mencionavam o culto à personalidade de líderes políticos, como John Kennedy e Joseph Stalin, menções na música. Se uma banda de punk negro escreveu uma carta em 2026, é muito provável que Elon Musk ocupe uma das estrofes. E não seria preciso mudar os versos aqui destacados.
Musk conhece muito bem ódios, sonhos e anseios da humanidade, seja por causa das soft skills que possui ou pelos yottabytes processados por suas empresas. Além disso, Musk é favorecido por uma importante mudança global: uma transferência lenta e gradual de confiança de líderes políticos carismáticos para empreendedores de sucesso. Isso tem virado capital tangível nas mãos de Elon Musk. Muita gente entrou no IPO da SpaceX por causa de seu dono, e fez a fortuna do magnata saltar para o topo de US$ 1 trilhão.
Uma matéria da CNBC dos Estados Unidos destacou o comportamento dos pequenos investidores e a abertura de capital da SpaceX. O texto aponta que a corretora Fidelity estabeleceu um saldo mínimo de US$ 2 milhões para que o máximo de pequenos investidores pudessem participar da oferta inicial de ações. A corretora impediu vertiginosamente o saldo médio exigido para participação em IPOs, que era de até US$ 500 mil. Isso aconteceu por conta da explosão de demanda pelas ações da SpaceX. “A CNBC conversou com vários desses pequenos investidores. Alguns citaram Elon Musk como um dos príncipes fatores por trás dos interesses da companhia”, diz a matéria.
O Musk Premium ou Efeito Elon, que é conhecido como o fator de Musk na valorização das empresas que lidera, também foi visto no menosprezo da Tesla e do Twitter (agora, X), quando a rede social foi adquirida pelo magnata. Depois, o X foi retirado da bolsa por iniciativa do novo dono, que alegou intenção de garantir total liberdade de expressão aos seus usuários. Para isso, a solução que encontrei foi um tanto despótica: cancelar a participação societária de tremis sobre o X e retirá-lo da lista de empresas públicas.
A pesquisa Edelman Trust Barometer Global de 2025, realizada em 28 países, apontou que o setor empresarial é o único que está na lista de instituições confiáveis, com índice de 62 pontos, com bom espaço de vantagem para ONGs (58 pontos) e governos (52 pontos). Nesse cenário, as grandes empresas viram as figuras públicas mais importantes. Musk entendeu isso e aumentou suas aparições públicas até chegar ao governo da UE, como líder do Departamento de Eficiência Governamental no governo de Donald Trump. A experiência não foi exatamente bem-sucedida. Se Musk tinha a intenção de ser um self-made man na política da UE, isso foi interrompido pelo conflito com Trump, mas não fustigou a idolatria do trilionário.
O IPO da SpaceX acelerou esta conversão da idolatria de Musk em dinheiro. E esse movimento parece estar em franca evolução. Em 15 dias, a mais nova empresa da bolsa passará a compor o Nasdaq 100 e, daqui a uns meses, deverá integrar o S&P 500, o que vai abrir novas possibilidades para a companhia porque ações passarão a compor alguns dos fundos mais importantes do mundo, e aumentar as possibilidades para que os fãs passem a ser também sócios de Elon Musk.
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