A mobilidade urbana é um dos principais gargalos da Grande Florianópolis. E quem tem de entrar em Florianópolis precisa ter muita paciência para conviver com os congestionamentos diários, uma vez que não há alternativa.
Na Via Expressa, trecho da BR-282 que liga a BR-101 à Capital, os engarrafamentos são habituais nos horários de pico e potencializados quando ocorre qualquer tipo de problema fora do planejado.
Nesta semana, tirando pequenos acontecimentos que geraram filas ou reduziram consideravelmente a velocidade dos veículos, durante dois dias, motoristas atrasaram a chegada a seus compromissos porque um ônibus estragou e atrapalhou a circulação em uma das faixas; e, no dia seguinte, um acidente travou o trânsito pela manhã e um engavetamento com cinco veículos fez a Via Expressa parar novamente. E nada se faz para solucionar o problema. O Poder Público não se pronuncia, muito menos as entidades representativas.
Inaugurado no fim de 1982, quando passavam pelas pistas 25.521 veículos por dia, o trecho da BR-282, principal acesso viário a Florianópolis, recebeu o nome de Via Expressa.
Teoricamente, o termo descreve o tipo de rodovia de alta capacidade e velocidade. Mas é só na teoria, porque há tempo que os 5,4 quilômetros de extensão e três pistas em cada sentido não atendem adequadamente à população – a obra de ampliação foi entregue em 2019.
Depois dali, apenas projetos sem execução, como o do Dnit, que prevê nova ampliação, com ciclovia, calçada, faixa exclusiva para ônibus e mais três pistas no valor de R$ 500 milhões.
De expressa, a rodovia não tem nada. Aliás, tem apenas o nome. Enquanto nenhuma ação dos órgãos públicos efetivamente acontece, atualmente mais de 100 mil veículos fazem parte do “para e anda” diário, e o Estado continua desperdiçando oportunidades de desenvolvimento da economia e do turismo, enquanto motoristas e passageiros perdem muito tempo nos congestionamentos, em meio a acidentes e mortes.
A Via Expressa em pleno funcionamento é fundamental para a economia, para a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da região. Alguma atitude precisa ser tomada com urgência para resolver essa situação.
Neste sentido, temas como tirar do papel o projeto do Dnit, que já está pronto; a estadualização da rodovia; e a implantação do BRT (Bus Rapid Transit) devem entrar na pauta e ser discutidos imediatamente pelos principais agentes transformadores – e isso inclui governos federal e estadual, políticos e representantes da região metropolitana. Basta de leniência e desrespeito à população. A situação chegou ao limite.