A manhã de caos vivida ontem por quem trafegava pela avenida Beira-Mar Norte, no Centro da Capital, expôs uma realidade que há tempos vem corroendo as estruturas de Florianópolis – literalmente.
O furto de fios e cabos elétricos, aparentemente um crime pontual e silencioso, tem causado danos sistêmicos, comprometendo desde o funcionamento básico do trânsito até a segurança de milhares de pessoas. O congestionamento quilométrico e o apagão na icônica ponte Hercílio Luz são apenas os sintomas mais visíveis de uma crise muito mais profunda.
Como todo grande problema, este exige respostas igualmente complexas. O furto de cabos não é apenas uma questão de segurança pública, mas também de ordem social, econômica e até de saúde pública. Os furtos estão fortemente associados ao consumo de drogas, especialmente de pessoas em situação de rua. Ignorar esse vínculo seria atacar o efeito sem tocar na causa.
A atuação integrada da prefeitura, Polícia Militar, Polícia Civil, Celesc e órgãos municipais tem mostrado bons resultados – como as operações que desmantelaram receptadores de hidrômetros e, mais recentemente, resultaram na prisão de receptadores de fios e no fechamento de comércios irregulares. Mas ainda é insuficiente. Enquanto houver quem compre, haverá quem furte.
É preciso apertar o cerco a esses estabelecimentos que lucram com o sofrimento da cidade. O projeto de lei que tramita na Câmara para cassar o alvará de comércios flagrados com material ilícito é uma medida urgente que precisa ser aprovada e aplicada com rigor.
Florianópolis não pode aceitar conviver com esse tipo de colapso urbano como se fosse rotina. A cidade está sendo saqueada à luz do dia, os serviços essenciais paralisados, a população prejudicada e os cartões-postais apagados. A capital de Santa Catarina merece um plano de ação estratégico, sustentado por dados, ações coordenadas e vontade política.
É hora de interromper o ciclo. Não basta reagir após o caos, é preciso preveni-lo, ou seremos todos cúmplices da degradação lenta e contínua da cidade.