A sede da B3, a bolsa de valores brasileira, em São Paulo, onde ocorreu a cerimônia de batida do martelo da concessão de um novo túnel submerso entre Santos e Guarujá, no último dia 5, foi palco de um evento repleto de simbolismos.
Trouxe esperança de pacificação no país e a certeza de que, quando isso acontece, quem ganha é o Brasil, os Estados e municípios. Um exemplo a ser copiado e que deveria inspirar as autoridades catarinenses e nacionais a encerrar outro tabu: as soluções para o trecho da BR-101 no Morro dos Cavalos.
No ato em São Paulo, quem ganhou foi o Litoral paulista, após longa espera. O túnel entre Santos e Guarujá é um projeto de 100 anos. Isso mesmo: um século de história.
Começou a ser discutido em 1924 e, em 1927, o governador Júlio Prestes apresentou a ideia. Foram muitas idas e vindas, mas com 20% de aporte privado, 40% do Estado e 40% do governo federal, a obra finalmente sairá do papel. Por aqui, seguem décadas de espera, ideias e nada de concreto.
Com investimento de mais de R$ 6,8 bilhões, a obra assumida pela construtora portuguesa Mota-Engil reúne recursos do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos, oposição a Lula) e do governo petista em Brasília.
Representando o presidente, o vice Geraldo Alckmin (PSB) resumiu bem: “Um túnel sempre tem dois lados e o trabalho começa pelos extremos, que se aproximam e, quando se encontram, a obra se completa. Quando os opostos convergem é possível fazer não apenas um túnel, mas fortalecer o país.”
O governador de São Paulo, por sua vez, recorreu à frase atribuída ao poeta francês Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.” E foi feliz também destacando a inovação do projeto e lançando uma ideia: “A turma vai se animar; daqui a pouco, o pessoal vai querer fazer lá em Santa Catarina e outros virão.”
Assim seja, governador. Se foi possível em São Paulo, por que os catarinenses seguem esperando? Aliás, o governador Jorginho Mello (PL) também disse que o Brasil precisa ser pacificado, numa entrevista ao jornal ND sobre o Morro dos Cavalos. Se a união de opostos virar regra, até o “impossível” pode, enfim, se tornar realidade aqui também.