Transformar boas ideias em políticas públicas duradouras é um dos maiores desafios da gestão pública no Brasil. Mais difícil ainda é fazer com que uma iniciativa local ultrapasse fronteiras, inspire outras regiões e se consolide como referência nacional. É exatamente esse o caminho que percorre o Programa Novos Caminhos, criado em Santa Catarina e agora presente em todo o país.
A nacionalização da iniciativa, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça e concluída com a adesão de todos os tribunais brasileiros até o fim de 2025, é motivo de reconhecimento.
O programa nasce de uma compreensão simples, porém poderosa: jovens que cresceram em instituições de acolhimento precisam de algo mais do que proteção temporária. Precisam de oportunidades reais para construir o próprio futuro.
Em Santa Catarina, onde o projeto foi idealizado pelo Tribunal de Justiça, pela Associação dos Magistrados Catarinenses e pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado), o programa mostrou que é possível romper ciclos de vulnerabilidade quando diferentes setores da sociedade atuam de forma articulada.
Ao oferecer educação, acompanhamento em saúde e caminhos concretos para a inserção no mercado de trabalho, o Novos Caminhos não apenas prepara adolescentes para a vida adulta, mas devolve a eles algo muitas vezes negado desde a infância: perspectiva.
A urgência dessa política é evidente. Ao completar 18 anos, jovens acolhidos institucionalmente precisam deixar os abrigos e iniciar uma vida independente. Sem preparo, esse momento pode significar o retorno à vulnerabilidade. Com qualificação, apoio e acesso ao trabalho, transforma-se em um verdadeiro ponto de partida.
Os resultados obtidos em Santa Catarina demonstram a força desse modelo. Em pouco mais de uma década, milhares de crianças e adolescentes foram atendidos, dezenas de milhares de matrículas em cursos educacionais e profissionalizantes foram viabilizadas e milhares de jovens tiveram a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho formal. Números que representam, sobretudo, histórias de reconstrução.
Mais do que um programa, o Novos Caminhos representa uma mudança de olhar. Em vez de enxergar jovens em acolhimento apenas pela lente da vulnerabilidade, o projeto aposta em seu potencial.
E quando a sociedade investe em potencial humano, colhe resultados que vão muito além das estatísticas. Ao ver uma iniciativa catarinense tornar-se referência nacional, o Brasil recebe uma mensagem clara: oferecer oportunidades é o primeiro passo para transformar trajetórias.