Editorial: Protagonismo feminino no empreendedorismo

Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, os números mais recentes do Sebrae, com base na PNAD Contínua do IBGE, trazem um retrato revelador sobre o protagonismo feminino no empreendedorismo brasileiro.

Pela primeira vez na série histórica, o país alcançou a marca de 10,35 milhões de mulheres donas de negócios, representando 34,1% do total de empreendedores. O crescimento de 42% desde 2012 é, sem dúvida, uma conquista significativa, que evidencia a força da mulher na transformação da economia.

A presença feminina no universo empresarial vai além dos números. Ela representa um movimento de reinvenção diante das dificuldades. Mais da metade dessas empreendedoras – 52,3% – são chefes de família, responsáveis por sustentar lares e garantir melhores condições para seus filhos.

Além disso, o nível de escolaridade é um diferencial: 72,4% das mulheres donas de negócio possuem ensino médio completo ou mais, superando os homens na mesma posição.

No entanto, os desafios ainda são evidentes. O rendimento médio das mulheres empreendedoras é 24,4% menor que o dos homens, mesmo com maior escolaridade. As desigualdades se aprofundam entre as mulheres negras, que recebem quase metade do valor pago às mulheres brancas.

A dupla jornada, dividida entre o trabalho e as tarefas domésticas, também impõe barreiras que limitam a dedicação integral aos negócios.

A formalização dos negócios, que chegou a 34,9% entre as mulheres em 2024, precisa avançar para garantir maior acesso a crédito e proteção social. Por isso, é importante a ampliação das políticas públicas que incentivem a capacitação, o financiamento e o fortalecimento das redes de apoio às empreendedoras.

Comemorar o Dia da Mulher é reconhecer essas conquistas, mas também reforçar o compromisso por uma sociedade mais justa e igualitária. O empreendedorismo feminino não é apenas uma alternativa econômica, mas um caminho para a transformação social.

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