Depois de mais uma tragédia no Morro dos Cavalos, em Palhoça, voltou aos holofotes a necessidade urgente da construção do túnel naquele trecho da BR-101. É uma discussão que se arrasta por quase 30 anos, muito antes da concessão da rodovia, iniciada em 2008.
Uma omissão que passa de governo a governo, que causa transtornos a motoristas e moradores daquela região a cada acidente. E o mais grave: vidas são perdidas, ou colocadas em risco, e ninguém faz nada para mudar essa situação.
No mesmo dia do acidente, o governador Jorginho Mello fez duras críticas ao governo federal, cobrando uma solução para a demora em resolver “a pendenga” do Morro dos Cavalos.
Ontem, uma das mais importantes entidades de Santa Catarina, a Fiesc também criticou o governo federal: “Os recorrentes e graves problemas registrados no Morro dos Cavalos refletem a omissão e o desrespeito do governo federal com Santa Catarina”, avaliou o presidente Mario Cezar de Aguiar.
Ele lembrou que o projeto de duplicação da BR-101 previa a construção de dois túneis de 1,3 quilômetro e dois viadutos de 180 metros no Morro dos Cavalos. Os projetos foram concluídos em 2010. A licença de instalação foi emitida em 2014, mas as obras nunca foram executadas.
A Arteris Litoral Sul, responsável pela BR-101 no trecho de Garuva a Palhoça, argumenta que não há previsão contratual de construção de túnel no Morro dos Cavalos.
A concessionária, que não entregou a obra do Contorno Viário da Grande Florianópolis dentro de diversos prazos previstos e que assumiu uma rodovia duplicada, precisou apenas fazer obras paliativas ou de maquiagem e construir praças de pedágio para arrecadar muito dinheiro dos catarinenses e dos turistas que vêm cada vez mais para esse Estado rico em belezas naturais e qualidade de vida, mas que patina na infraestrutura rodoviária.
O trecho de Palhoça da BR-101, especialmente o Morro dos Cavalos, é um importante corredor logístico e tem intensa movimentação turística, por isso a construção do túnel é essencial, precisa ser prioridade. É urgente.
Governo federal e Arteris são responsáveis pela rodovia, mas também é obrigação das lideranças políticas de Santa Catarina cobrarem com mais veemência os órgãos federais, a União e a concessionária.
Santa Catarina, a sexta maior economia do país, sempre foi maltratada por Brasília. Merecemos ser respeitados. Por parte do atual e dos futuros governos. Não podemos mais aceitar cortes de recursos ou falta de investimentos. A construção do túnel pode ser a virada de chave para um novo cenário em Santa Catarina.