Em meio à alegria, à liberdade e à intensa circulação de pessoas que marcam o Carnaval, Florianópolis dá um exemplo de maturidade administrativa e responsabilidade social ao intensificar as ações de prevenção ao HIV. A campanha “Carnaval com Prevenção Combinada” mostra que é possível celebrar sem fechar os olhos para a saúde pública. E, mais do que isso, que prevenir é um dever do Estado e um direito do cidadão.
Ao apostar na articulação entre Poder Público, sociedade civil organizada e organizadores da festa, a Capital reafirma uma política baseada em evidências científicas, informação qualificada e acesso facilitado a insumos de proteção. A estratégia vai além da simples distribuição de preservativos: envolve testagem, orientação e diálogo direto com o público jovem, historicamente mais vulnerável à desinformação e à banalização dos riscos.
Os resultados dessa política são concretos e incontestáveis. A expressiva redução nos novos casos de HIV e Aids nos últimos anos, somada à certificação inédita pela eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis, comprova que investir em prevenção não é gasto, mas economia, de recursos, de sofrimento e de vidas. Florianópolis não apenas acompanha as diretrizes nacionais, como se antecipa e se consolida como referência para outras capitais.
Também merece destaque a transparência na aplicação dos recursos. Ao esclarecer que os insumos são financiados com verbas federais vinculadas, sem impacto no orçamento municipal, a Secretaria da Saúde enfrenta de forma técnica e responsável eventuais críticas oportunistas que insistem em ideologizar políticas de saúde pública. Não se trata de incentivo a comportamentos, mas de proteção à vida, princípio básico da Constituição.
A participação ativa de organizações da sociedade civil e de voluntários reforça o caráter coletivo dessa ação. São essas parcerias que ampliam o alcance da prevenção, fortalecem vínculos com a população e garantem que a informação chegue onde o Poder Público, sozinho, muitas vezes não alcança. Levar a prevenção a bares, blocos, casas noturnas e à Passarela Nego Quirido é reconhecer a realidade como ela é, e agir sobre ela, sem moralismos.
Ao estender essas ações para além do Carnaval, com canais permanentes de reabastecimento e diálogo, Florianópolis sinaliza que a prevenção não pode ser sazonal. Em tempos de retrocessos em diversas áreas, a Capital escolhe o caminho mais difícil e mais correto: o da informação, da prevenção e do cuidado.