Editorial: Praias e ruas sujas, lição de falta de cidadania

Periodicamente, a imprensa veicula reportagens sobre mutirões – muitos deles promovidos por ONGs – de limpeza da orla de cidades grandes e médias. Na Grande Florianópolis, como de resto no Litoral catarinense, volta e meia surge uma notícia sobre dezenas, centenas e até milhares de quilos de resíduos retirados por uma força-tarefa voluntária durante um dia inteiro de trabalho.

É lixo recolhido tanto nas praias quanto no fundo do mar. Itens como bitucas de cigarro, as mais variadas garrafas plásticas e de vidro – e suas respectivas tampas – e peças metálicas. Na semana passada, por exemplo, um mutirão recolheu 4,4 toneladas de lixo da Lagoinha do Leste, uma praia aonde só se chega por trilha ou pelo mar.

Uma breve caminhada pelas ruas das cidades, no entanto, demonstra que este não é um problema exclusivo das praias. Mesmo com o trabalho exemplar executado pelas companhias de limpeza urbana, ainda há muito lixo jogado no chão – de um simples papel de bala a inacreditáveis sofás, fogões e colchões velhos.

As perguntas que precisam ser feitas são: por que alguém se sente à vontade para jogar lixo no chão, nas praias, na água do mar e dos rios? O que leva alguém a pegar uma embalagem, uma ponta de cigarro ou uma garrafa vazia e simplesmente abandonar na via ou na areia da praia? Como mudar essa prática?

Há muitas explicações para isso, mas a principal é de que essas atitudes refletem a mais pura falta de educação, cidadania e civilidade. Quem suja a rua por onde passa todos os dias, a pracinha em que seus filhos brincam e a areia da praia onde curte momentos de lazer não está apenas degradando o ambiente, mas também negando ao outro o direito de viver numa cidade limpa.

Em última análise, sujar conscientemente a cidade onde vive – e também a que visita em suas viagens – é igualmente uma falta de inteligência, uma vez que obriga o Poder Público a despender mais recursos para a limpeza urbana, recursos estes normalmente escassos e que poderiam ter outro destino.

Multas e outras punições poderiam ajudar, mas isso esbarraria na falta de estrutura de fiscalização. As opções mais baratas para mudar esse quadro parecem mesmo ser conscientização e a criação de programas de educação ambiental, principalmente com as crianças como público-alvo. Muitas vezes são elas as responsáveis por ensinar bons modos aos adultos.

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