O avanço de Santa Catarina na indústria de defesa nacional revela um dado econômico expressivo. Ao alcançar a posição de terceiro maior produtor de equipamentos para as Forças Armadas no país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, o Estado demonstra capacidade de unir tradição industrial, inovação tecnológica e visão estratégica de longo prazo.
O crescimento de 178% no volume de negócios em apenas um ano destaca um movimento que fortalece a economia, gera empregos qualificados e amplia o protagonismo catarinense em um setor sensível para a soberania nacional.
Durante muito tempo, a indústria de defesa brasileira esteve concentrada em poucos polos econômicos. O desempenho catarinense mostra que essa realidade começa a mudar. A força histórica dos setores têxtil, de confecção, couro e calçados continua sendo fundamental, especialmente no fornecimento de uniformes, equipamentos e itens operacionais.
Mas o dado mais relevante talvez esteja na expansão do segmento de tecnologia da informação e comunicação, cuja participação nas vendas ao setor quase triplicou desde 2022.
Esse crescimento evidencia uma transformação importante no perfil industrial do Estado. Santa Catarina deixa de ser apenas um centro manufatureiro tradicional para consolidar-se também como referência em inovação, inteligência tecnológica e soluções de alto valor agregado.
Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica, guerras e disputas comerciais, investir em tecnologia aplicada à defesa não é luxo nem exagero. É estratégia de Estado.
A SC Expo Defense, feira promovida pela Fiesc, simboliza exatamente essa nova etapa. Ao reunir Forças Armadas, universidades, startups, centros de pesquisa e empresas, o evento reforça a necessidade de integração entre conhecimento científico, iniciativa privada e poder público. Nenhum país alcança autonomia em defesa sem investimento contínuo em inovação e sem articulação entre diferentes setores da sociedade.
É preciso, contudo, que o crescimento venha acompanhado de planejamento e responsabilidade. O setor de defesa não pode depender apenas de oscilações conjunturais ou de demandas pontuais.
O Brasil ainda carece de uma política industrial sólida e permanente para a área, capaz de garantir previsibilidade às empresas e incentivar pesquisa de longo prazo. Santa Catarina, pela competência demonstrada, reúne condições de liderar esse debate nacional.
Santa Catarina ajuda a construir independência tecnológica e capacidade estratégica para o país. Em tempos de insegurança global, produzir internamente significa reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a soberania brasileira. O avanço catarinense nesse campo merece reconhecimento e, sobretudo, continuidade.