Por Marcello Corrêa Petrelli, presidente do Grupo ND
Ao longo da minha vida, acompanhei diferentes momentos da história da ponte Hercílio Luz. Vi a ponte funcionando intensamente, vi sua deterioração, vivi o período em que ela ficou fechada e testemunhei, com emoção, sua restauração e retomada como patrimônio vivo da nossa gente. Hoje, ao celebrarmos seu centenário, tenho a convicção de que estamos falando sobre pertencimento, cultura e legado.
Foi justamente por entender essa dimensão que o Grupo ND decidiu assumir um papel ativo nesta celebração histórica. Como grupo de comunicação, temos o dever de informar, mas também a responsabilidade de preservar memórias, valorizar nossa cultura e contar as histórias que ajudam a construir a identidade de um povo.
O projeto especial do centenário nasceu desse compromisso. Um trabalho amplo, profundo e contínuo, que reúne um caderno histórico especial, série documental, reportagens multiplataforma, conteúdos digitais, concurso fotográfico e uma mobilização editorial que envolve televisão, rádio, jornal impresso e plataformas digitais. Comemoramos essa data e queremos eternizar narrativas, provocar reflexão e fortalecer o vínculo das pessoas com este patrimônio extraordinário.
A ponte Hercílio Luz deixou de ser apenas uma estrutura de mobilidade há muito tempo. Ela se transformou em símbolo. Costumo dizer que a ponte é o nosso Cristo Redentor, a nossa Torre Eiffel. Um monumento reconhecido, admirado e fotografado por moradores e turistas. Um equipamento que representa Florianópolis para o Brasil e para o mundo.
E talvez o mais bonito de tudo seja perceber que a cidade finalmente compreendeu isso. Durante décadas, discutiu-se se a ponte deveria ou não ser mantida. Hoje, existe um entendimento coletivo sobre sua importância histórica, cultural e turística. A sociedade passou a enxergar valor na preservação. O setor empresarial entendeu seu papel. O Poder Público também avançou nessa consciência.
Mas acredito que ainda podemos ir além.
O centenário também deve servir como provocação positiva para o futuro, Florianópolis precisa ampliar sua relação cultural com a ponte. Precisamos transformar sua história em experiência permanente para moradores e visitantes. Um museu dedicado à Hercílio Luz, espaços interativos, QR Codes nos pontos históricos e turísticos que levem ao acesso a conteúdos históricos, tecnologia imersiva, preservação do acervo e valorização do entorno cultural são iniciativas que fazem sentido para uma cidade que deseja honrar sua própria trajetória.
O Parque da Luz, por exemplo, pode se consolidar como um grande espaço de memória viva da ponte e da cidade. Precisamos estimular nas novas gerações o orgulho pela nossa história e o hábito de consumir cultura local.
O Grupo ND sente muito orgulho de fazer parte deste momento. Não apenas registrando a história, mas ajudando a mobilizar a sociedade em torno dela. Comunicação também é isso: conectar pessoas, despertar consciência e contribuir para que grandes símbolos jamais sejam esquecidos.
A ponte Hercílio Luz atravessou um século. Agora, cabe a todos nós garantir que ela continue avançando para o futuro.