Em 2024, o SUS (Sistema Único de Saúde) gastou R$ 449 milhões com internações de vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. O dado faz parte do levantamento inédito do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base em dados do Datasus. O valor cobre desde atendimentos de emergência até reabilitação de longo prazo.
Os gastos com vítimas de trânsito crescem de forma constante. Desde 1998, o aumento foi de 49%. Naquele ano, o SUS desembolsou R$ 301,7 milhões com internações por acidentes de transporte. O maior salto aconteceu entre 2008 e 2009, quando o gasto subiu de R$ 280 milhões para R$ 386 milhões em apenas um ano.
Com o fim da cobrança do seguro obrigatório DPVAT, em 2021, o SUS deixou de receber, em média, cerca de R$ 580 milhões por ano. Esse recurso era fundamental para custear parte dos atendimentos às vítimas de acidentes de trânsito, que seguem ocorrendo em larga escala.
A ausência dessa verba impõe um peso ainda maior ao orçamento público, que precisa remanejar recursos de outras áreas para dar conta da demanda emergencial provocada por acidentes, especialmente os de trânsito.
Estudos mostram que acidentes de trânsito, quedas, afogamentos, agressões e outras ocorrências similares geram uma carga imensa de atendimentos de urgência e emergência. O tratamento dessas vítimas envolve não apenas o pronto atendimento, mas também internações prolongadas, cirurgias complexas e reabilitação, o que torna o custo ainda mais elevado.
Se parte desses acidentes fosse evitada por meio de políticas públicas eficazes de prevenção, como fiscalização no trânsito, campanhas educativas, melhoria na sinalização e investimentos em infraestrutura segura, haveria uma economia considerável aos cofres públicos.
Com menos vítimas, o SUS poderia direcionar recursos para áreas prioritárias, como atenção básica, combate a doenças crônicas, saúde mental e ampliação de leitos hospitalares.
A lógica da prevenção é clara: gastar menos com consequências significa poder investir mais em qualidade de vida. É necessário que o Poder Público, em todas as esferas, assuma a responsabilidade de promover ações preventivas contínuas, e que a sociedade também colabore com comportamentos mais conscientes e seguros.
Ignorar o impacto dos acidentes na saúde pública é fechar os olhos para um problema que consome recursos preciosos e impede avanços mais consistentes no sistema de saúde. Prevenir salva vidas — e também salva o SUS.