Editorial: Lagoa do Peri, referência ambiental

Dona de uma beleza ímpar, a Lagoa do Peri, a maior lagoa de água doce da costa catarinense, é constantemente elogiada pelas águas calmas e cristalinas e pela rica diversidade.

Destino popular de moradores e turistas que buscam um ambiente tranquilo, seguro e acessível para passeios com a família, a praia foi certificada pela décima vez pelo programa Bandeira Azul, um reconhecimento global que atesta a qualidade ambiental e a gestão sustentável do local.

Única praia da Capital atualmente certificada com a Bandeira Azul, a Lagoa do Peri é um exemplo para os demais balneários de Florianópolis, igualmente belos, mas que ainda deixam a desejar no cumprimento dos 38 critérios exigidos para a certificação – entre elas, a qualidade da água, acessibilidade educação ambiental, banheiro, coleta de resíduos, sinalização, segurança, serviços, turismo sustentável e responsabilidade social.

Receber o selo Bandeira Azul é o reconhecimento de um trabalho constante feito pela Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e o resultado do cuidado permanente com o meio ambiente e com a gestão responsável da área. A água da Lagoa do Peri, inclusive, abastece mais de 100 mil pessoas, moradoras do Sul e do Leste da Ilha.

Por que, então, o modelo de proteção ambiental adotado para a Lagoa do Peri não pode ser implantando nas outras praias da Capital? Igualmente, são roteiros e motivo da visita de milhões de turistas na temporada de verão, e merecem essa atenção – em vez de certificação, a maioria é reconhecida por falta de lixeiras, chuveiros e acesso a pessoas com deficiência, por exemplo.

A adoção de boas práticas contribuiria para a qualidade da água e, consequentemente, para a saúde pública, valorização local – ambiental e econômica, com o aumento do valor dos imóveis, criação de novos negócios e geração de empregos, além de reconhecimento e mais visibilidade. O selo seria, obviamente, uma consequência.

Manter uma certificação como a Bandeira Azul exige muito trabalho, controle contínuo, relatórios e monitoramento. Depende de ações concretas e vontade política e administrativa. Florianópolis reconhece, se orgulha e contribui para a manutenção das conquistas da Lagoa do Peri.

Por isso, o local deve servir como referência para a administração pública no momento de traçar estratégias para a proteção do meio ambiente e do maior ativo que a Capital dispõe: suas belezas naturais. É urgente um planejamento de ações para que a gestão e o turismo sustentável sejam adotados em toda Florianópolis já para a próxima temporada.

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