Editorial: Investimento que floresce no campo

Há políticas públicas que atravessam governos e se consolidam como verdadeiras políticas de Estado. O Programa Terra Boa é uma delas. Há 24 anos executado pela Fecoagro (Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina), com apoio das agroindústrias e articulação do governo de Santa Catarina, o programa se tornou um dos principais instrumentos de fortalecimento da agricultura familiar no Estado.

Para este ano, serão destinados R$ 137,9 milhões, crescimento de cerca de 15% em relação ao ano anterior. O número expressivo não representa apenas aporte financeiro; simboliza confiança no produtor rural e na capacidade do campo catarinense de seguir gerando emprego, renda e desenvolvimento regional.

O Terra Boa atua onde mais importa: na base da produção. Ao subsidiar 415 mil toneladas de calcário para correção do solo, sementes de milho de alto potencial produtivo, kits forrageiros, incentivos ao solo saudável, apicultura e cultivo de cereais de inverno e sorgo granífero, o programa fortalece a estrutura produtiva das propriedades. Corrigir o solo é preparar o futuro. Investir em genética e manejo é ampliar competitividade. Incentivar a diversificação é garantir resiliência.

O modelo do programa é igualmente inteligente: o agricultor recebe sementes e insumos e paga após a colheita, com preço subsidiado ou em produto. Trata-se de um mecanismo que respeita o ciclo produtivo, reduz a pressão sobre o caixa do produtor e distribui o risco de maneira equilibrada. Não é apenas incentivo, é parceria.

Outro ponto central é o foco nos agricultores enquadrados no Pronaf, com análise técnica realizada pela Epagri. Isso assegura que os recursos cheguem à agricultura familiar, fortalecendo quem realmente precisa de apoio para continuar produzindo com qualidade e sustentabilidade.

O impacto do Terra Boa vai além da lavoura. Ao estimular a produção de grãos para ração, apoiar sistemas de leite e carne à base de pasto e incentivar a apicultura, o programa dinamiza cadeias produtivas inteiras. Cada semente distribuída representa mais do que uma futura colheita: significa renda circulando nos municípios, cooperativas fortalecidas e segurança alimentar garantida.

Em um cenário em que o agronegócio é pilar da economia catarinense, iniciativas como o Terra Boa demonstram que desenvolvimento se constrói com planejamento, cooperação e visão de longo prazo. Investir no solo, na tecnologia e no pequeno produtor é investir no futuro. E seus frutos, como se vê a cada safra, vão muito além da colheita.

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