Editorial: Impasse e descaso na antiga rodoviária

A antiga rodoviária de Florianópolis está no centro de um impasse há anos. Primeiro porque o prédio, localizado nas esquinas das avenidas Hercílio Luz e Mauro Ramos, no Centro, era ocupado irregularmente por lojistas sem licitação; e agora, depois que o imóvel foi esvaziado e interditado, em fevereiro, volta a chamar a atenção porque se tornou o endereço de algumas das centenas de pessoas em situação de rua na Capital, que escolheram a construção para se abrigar no inverno.

A situação é absurda, e levou o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) a instaurar procedimento administrativo e reiterar a necessidade de providências.

Não bastasse invadirem um local privado, moradores de rua e usuários de drogas utilizam o telhado como porta de entrada, porque a fachada está com tapumes. Arriscam suas vidas e põem em risco a comunidade do entorno, porque levam para dentro da edificação velas e tocos de madeira para fazer fogueiras.

Não é por acaso que moradores da região estão preocupados com a presença cada vez maior de pessoas em situação de rua nos arredores: a qualquer momento, um incêndio de grandes proporções pode acontecer, como já ocorreu há cerca de dois meses em um prédio na mesma avenida.

Além disso, há a reclamação de que essas pessoas fazem assaltos e ameaçam quem chega em casa mais tarde da noite. Florianópolis não pode mais viver esse impasse.

A situação do prédio da antiga rodoviária tem de ser resolvida. É uma questão urgente que Prefeitura de Florianópolis e o governo do Estado sentem de uma vez por todas para resolver a questão da titularidade do imóvel e para que providências em relação à área sejam tomadas o quanto antes. Chega de empurrar com a barriga.

Da mesma forma, os casos que envolvem pessoas em situação de rua precisam de uma solução. A cidade precisa ter uma gestão ativa no caso. Não basta oferecer lugar para dormir, tomar banho e se alimentar.

É preciso saber o que precisam e oferecer possibilidades – inclusive de tratamento, porque muitos dos que vivem perambulando pelas ruas são dependentes de drogas. Intensificar as rondas para evitar invasões e preservar a estrutura existente é um caminho, mas não é o único. A população não pode viver à mercê da insegurança.

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