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Editorial: EAD do estelionato e a industrialização da fraude

A profissionalização do crime chegou a um novo patamar: agora, ela é transmitida em tempo real, com direito a “aulas”, mentoria e programa de afiliados. Canais no Telegram transformaram o estelionato em curso online, vendendo a ilusão do dinheiro fácil a milhares de inscritos. É a industrialização da fraude. Os números são alarmantes.

O estelionato já é o crime mais cometido no Brasil e gerou prejuízos bilionários no último ano. A cada 15 segundos, uma vítima é feita no país. Em Santa Catarina, a taxa proporcional lidera o ranking nacional. Não é pontual. Estamos diante de uma epidemia digital que avança na mesma velocidade com que a tecnologia se populariza.

A ousadia dos criminosos impressiona. Vendem “curadorias exclusivas”, prometem “métodos testados” e tratam o golpe como “trampo”. Naturalizam o crime como se fosse empreendedorismo alternativo. Jovens vulneráveis, pressionados pelo desemprego ou seduzidos pelo lucro rápido, são atraídos para um mercado paralelo que mascara consequências reais: prisão, antecedentes criminais e destruição de vidas.

A escolha do Telegram não é casual. A facilidade de criar contas, usar bots e recriar perfis derrubados transforma a plataforma em terreno fértil para a reincidência. O silêncio da empresa diante de questionamentos sobre medidas de controle é preocupante. Liberdade digital não pode ser escudo para organizações criminosas.

Enquanto isso, vítimas acumulam prejuízos e frustrações. A chamada “engenharia social” explora medo e urgência para manipular decisões em segundos. O resultado é devastador: dinheiro perdido, confiança abalada, sensação de impotência. E, pior, a chance de ressarcimento ainda é mínima. Apenas uma fração dos casos chega à Justiça.

Há esforços: bancos prometem investimentos, a polícia cria núcleos especializados, especialistas falam em cooperação internacional. Mas a resposta ainda corre atrás do prejuízo. O Brasil figura entre os países mais vulneráveis a fraudes digitais. A impunidade percebida alimenta o ciclo.

É urgente tratar o estelionato virtual como prioridade de Estado. Pressionar plataformas por mecanismos mais rígidos de identificação, fortalecer investigações especializadas e ampliar campanhas de educação digital são medidas inadiáveis. A prevenção precisa ser massiva, permanente e acessível. Combater essa indústria do golpe é defender não apenas o patrimônio, mas a própria confiança que sustenta a vida em sociedade.

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