Editorial: Doações de órgãos: números podem melhorar

No mês que marca a passagem do Dia Mundial do Transplantado, comemorado anualmente em 6 de junho, Santa Catarina tem bons números, que merecem ser celebrados, mas que podem melhorar.

O Estado é referência nacional em captação e transplantes de órgãos, com um serviço de excelência da SC Transplantes – Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina, criada em 1999, responsável por coordenar estadualmente as atividades de captação, transplante e gerenciamento das listas únicas de receptores de órgãos e tecidos.

Um recorte estatístico da fila de espera dos últimos dez anos mostra uma oscilação inicial até 2018, e depois disso, um aumento ininterrupto. Em 2015, eram 637 pessoas aguardando um transplante. Em dezembro do ano passado, o número já estava em 1.447 – aumento de 127%.

Outro número importante é a proporção de notificações que se transformam em doações efetivas. Em 2015, 41% das notificações foram concretizadas. O percentual subiu gradativamente até atingir o pico de 53,6% em 2019.

Depois disso, caiu durante a pandemia, quando chegou a 40%, voltou a subir e encerrou 2024 com 42%. No ano passado, das 753 notificações, apenas 317 se tornaram doações de fato.

O que chama a atenção, no entanto, é o percentual de notificações que não avançam por falta de autorização dos familiares, a maior causa de não efetivação. A maior proporção foi em 2015, com 30%. Das 498 notificações, 150 não foram autorizadas pela família. O número oscila e fecha 2024 com 23,8% de recusa de familiares em doar órgãos e tecidos.

Somente de 2015 a 2024, 1.462 notificações deixaram de se tornar doações efetivas por não autorização familiar. O número representa 23% das 6.346 notificações e supera a lista de espera. Em toda essa série histórica, apenas em 2021, auge da pandemia, a contraindicação clínica superou a falta de autorização familiar.

Estas estatísticas mostram que, apesar do trabalho de altíssima competência executado pela SC Transplantes, há muito ainda a ser feito, principalmente no que se refere à conscientização de familiares de potenciais doadores.

É claro que no momento da morte de um ente querido há muitos sentimentos envolvidos e, muitas vezes, não é possível tomar decisões plenamente racionais. Mas é nessa hora que a empatia, o colocar-se no lugar de quem espera um órgão saudável para continuar a viver, deve prevalecer.

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