A formação de leitores começa no colo, na escuta, na curiosidade despertada por histórias que encantam e conectam, muito antes da alfabetização. Em tempos em que as telas disputam, cada vez mais cedo, a atenção das crianças, iniciativas como a Semana Municipal do Livro Infantil de Florianópolis ganham ainda mais relevância ao recolocar o livro no centro das experiências da infância.
Ao chegar à sua 17ª edição, a mobilização mostra que o incentivo à leitura não se faz de forma isolada, tampouco por imposição. Ao contrário: ele é construído no encontro entre escola, família e comunidade.
Até o próximo sábado (18), serão mais de 350 atividades espalhadas pela cidade, ocupando bibliotecas, salas de aula e espaços culturais, reforçando que a literatura deve ser acessível, diversa e, sobretudo, prazerosa.
O exemplo das escolas municipais evidencia uma mudança importante de perspectiva. Já não se fala apenas em “hábito” de leitura, mas em vínculo. Transformar a biblioteca em um espaço de convivência, integrar literatura com música e teatro, permitir que a criança explore diferentes linguagens contribui para que o livro deixe de ser obrigação e passe a ser escolha.
Mas esse movimento não se sustenta apenas dentro da escola. É em casa que o estímulo ganha continuidade e significado. Famílias que leem com os filhos, que oferecem livros e compartilham histórias ajudam a construir não só leitores, mas indivíduos mais críticos, criativos e preparados para compreender o mundo. E não é preciso grandes investimentos: bibliotecas públicas e comunitárias são caminhos possíveis e fundamentais para democratizar o acesso.
Incentivar a leitura desde os primeiros anos é também investir no desenvolvimento emocional e social das crianças. Por meio dos livros, elas aprendem a lidar com sentimentos, ampliam o repertório e desenvolvem empatia. A literatura humaniza, acolhe e ensina, muitas vezes de forma mais eficaz do que qualquer discurso direto.
Por isso, mais do que celebrar uma semana dedicada ao livro infantil, é preciso transformar esse esforço em prática permanente. O desafio está em garantir que políticas públicas, projetos pedagógicos e iniciativas familiares caminhem juntos ao longo de todo o ano. Formar leitores é formar cidadãos. E essa é uma responsabilidade coletiva que começa cedo, e cujos impactos se estendem por toda a vida.