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Editorial: CentroSul não pode mais esperar

A nova postergação do edital de concessão do CentroSul não é apenas mais um capítulo de um processo burocrático. É o retrato do descaso e da falta de competência de sucessivos gestores públicos.

O Grupo ND vem mostrando ao longo dos últimos anos uma sequência de atrasos, falta de contrapartidas e sucessivos aditivos contratuais, evidenciando que o principal equipamento de eventos da Capital opera há muito sob incerteza.

O histórico é conhecido. O contrato original venceu em 2021 e, desde então, foi prorrogado por meio de aditivos, enquanto o novo modelo de concessão não sai do papel. Promessas de edital foram feitas e não cumpridas. Estudos foram contratados e atrasaram. Prazos foram anunciados e empurrados sucessivamente. O resultado é um processo que já ultrapassa cinco anos sem solução definitiva.

O CentroSul não é um ativo qualquer. Trata-se de um equipamento estratégico do turismo de eventos, responsável por movimentar hotéis, restaurantes, transporte e serviços ao longo de todo o ano. Em um Estado competitivo, manter esse equipamento defasado e sob gestão provisória significa perder oportunidades e receita.

A justificativa da prefeitura, de que ajustes no projeto e maior complexidade exigiram revisões, pode explicar parte do atraso. Mas não justifica sua repetição. Quando os prazos deixam de ser exceção e passam a ser regra, o problema deixa de ser técnico e passa a ser de gestão.

O risco agora é ainda maior. A própria administração admite a possibilidade de recorrer a um contrato emergencial em 2027. Essa alternativa mantém o funcionamento do espaço, mas prolonga a insegurança e afasta investimentos estruturantes. O setor privado precisa de previsibilidade, e a cidade precisa de planejamento.

Agilizar a licitação não significa abrir mão de rigor. Significa dar prioridade política e administrativa a um processo essencial. Cada atraso representa eventos que deixam de acontecer, empregos que deixam de ser gerados e receitas que deixam de circular.

Florianópolis não pode normalizar a demora quando se trata de seu principal centro de convenções. O que está em jogo não é apenas um edital, mas a capacidade de a cidade planejar e executar seu desenvolvimento. Celeridade, neste caso, é responsabilidade.

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