Ir à praia sempre foi, para muitos, um momento de descanso, contemplação e reconexão com a natureza. Em Florianópolis, o que não falta é praia. O som das ondas, o vento, a imensidão do mar… tudo isso compõe uma experiência que, em tese, deveria ser tranquila e revigorante.
No entanto, um fenômeno cada vez mais comum transformou o ambiente litorâneo em um espaço de incômodo: o uso indiscriminado de caixas de som.
Esse cenário pode mudar de hoje em diante. O projeto de lei da então vereadora e hoje vice-prefeita Maryanne Mattos (PL), protocolado na Câmara de Vereadores em 2021, finalmente foi aprovado pelos parlamentares ontem, em segunda votação.
Uma merecida vitória da sociedade, que teve participação importante do Grupo ND com diversas reportagens de seus veículos de comunicação nesse período de quatro anos.
Felizmente, algumas cidades, e agora Florianópolis, entenderam a gravidade do problema e proibiram, por lei, o uso das caixas de som nas praias. Essa medida não apenas protege o direito de quem busca tranquilidade, como também preserva o próprio ambiente natural, que é parte da atração turística e do bem-estar coletivo.
O problema não está apenas no volume, mas na falta de consciência coletiva. As praias são espaços públicos, e, como tal, deveriam ser ambientes de respeito mútuo, onde a liberdade de um termina onde começa a do outro.
O som que para uns é diversão, para outros é incômodo — e, numa convivência harmoniosa, seria natural moderar comportamentos que impactam negativamente o entorno.
Além do desconforto, há também um impacto ambiental a ser considerado. Sons muito altos podem afetar a fauna local, principalmente aves e animais marinhos que utilizam o som natural para se orientar e se comunicar.
No entanto, a simples existência da lei não basta. É fundamental que haja fiscalização efetiva. Sem a presença de agentes responsáveis por coibir abusos, a regra perde força e o desrespeito continua.
Proibir as caixas de som é um passo importante, mas garantir que a lei seja cumprida é o que realmente fará a diferença para devolver a praia a todos — e não apenas àqueles que impõem seu gosto pessoal sobre os demais.
Respeitar o espaço comum é respeitar a todos. A praia pede mar, vento e sossego — e não barulho artificial.