O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, hoje, costuma ser marcado por campanhas, prédios iluminados de azul e boas intenções. Mas é preciso ir além do gesto simbólico. Conscientizar, por si só, já não basta. O desafio real está em transformar informação em ação e, sobretudo, em política pública consistente.
O reconhecimento do TEA (Transtorno do Espectro Autista) ainda esbarra em obstáculos conhecidos, que vão da demora no diagnóstico, passando pela falta de profissionais capacitados e até a desigualdade no acesso a serviços, especialmente na rede pública.
Na infância, o tempo é determinante. Cada atraso no diagnóstico representa oportunidades de desenvolvimento e autonomia perdidas. Muitas famílias seguem enfrentando filas, custos elevados e desinformação.
Há outro ponto que insiste em permanecer à margem: o autismo na vida adulta. A ausência de políticas voltadas a esse público revela uma lacuna importante. São pessoas que cresceram e seguem crescendo em um sistema que pouco se adaptou para acolhê-las. Inclusão não pode ter prazo de validade.
Na educação, o discurso inclusivo avança mais rápido do que a realidade. O que se vê, na maioria dos casos, é falta de estrutura, de formação continuada e de suporte adequado para que a inclusão aconteça de fato dentro das salas de aula. Sem isso, o que se chama de inclusão muitas vezes se resume à presença física sem aprendizagem efetiva ou pertencimento. É preciso adaptação, inclusive de materiais escolares.
Este tema demanda prioridade. E prioridade se mede por investimento, planejamento e continuidade. Não se trata de criar soluções pontuais, mas de estruturar políticas que atravessem governos e garantam direitos básicos.
Mais do que ampliar a conscientização, é hora de cobrar coerência entre o discurso e a prática. Uma sociedade que se pretende inclusiva não pode se contentar com gestos simbólicos. Precisa, antes, assumir o compromisso de não deixar ninguém à margem.