Editorial: Até quando vamos falhar com os mais indefesos?

A morte do menino Moisés, de apenas quatro anos, no último domingo (17), não pode ser tratada como mais um caso de violência doméstica em meio a tantos outros. Ela expõe, de forma brutal, o quanto a sociedade ainda falha em proteger aqueles que mais precisam, justamente os que não têm voz nem defesa.

O histórico do menino mostra que os sinais estavam à vista. Em abril, médicos relataram hematomas espalhados pelo corpo, escoriações que sugeriam tentativas de defesa, um padrão claro de maus-tratos. Em maio, novos registros foram feitos.

Vizinhos confirmaram as agressões. No entanto, nada foi suficiente para interromper o ciclo de violência. O resultado foi uma tragédia anunciada.

Hannah Arendt, ao refletir sobre a “banalidade do mal”, mostrou como atrocidades podem ocorrer não apenas pela crueldade direta de alguns, mas também pela indiferença, pelo descaso e pela burocracia de muitos.

O caso de Moisés nos obriga a olhar para esse espelho. Onde estavam as instituições que deveriam agir? Onde estava a sociedade quando uma criança de quatro anos pedia ajuda com o corpo marcado por feridas?

O Ministério Público agora investiga falhas na rede de proteção. A prefeitura abriu sindicância para apurar a atuação do Conselho Tutelar. É preciso que se identifiquem responsabilidades. Mas não basta punir a posteriori. O clamor é para que o sistema funcione antes, quando a vida ainda pode ser salva.

Cada alerta ignorado, cada protocolo não seguido, cada silêncio diante da violência perpetua essa banalidade cotidiana que normaliza o intolerável. O mal não está apenas no punho que bate, mas também na engrenagem que não age.

O menino Moisés não voltará, mas sua morte não pode ser em vão. Ela precisa ser um marco para que a sociedade, o Estado e cada cidadão compreendam que proteger uma criança não é um ato de compaixão, mas um dever inegociável.

Até quando falharemos com quem não pode se defender? A resposta precisa vir em forma de ação. Caso contrário, seremos todos cúmplices do próximo silêncio interrompido por mais uma tragédia anunciada.

 

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Troféu Dom Quixote presta homenagem a ministros do STJ e ao relator geral da Constituição de 1988

​O Plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sediou, na noite desta quarta-feira (7), o…

Chamamento Público nº 07/2026 – Secretaria Executiva (SE)

O Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Cooperação Técnica e Desenvolvimento em Saúde…