O Brasil começa a dar sinais concretos de que é possível avançar em uma das áreas mais sensíveis e estruturantes de qualquer sociedade: a alfabetização. Ao atingir 66% das crianças alfabetizadas na idade certa, o país não apenas cumpre uma meta, mas aponta para uma mudança de rumo que precisa ser consolidada e ampliada.
O dado, por si só, é significativo. Representa um salto importante em relação aos índices recentes e indica que políticas públicas coordenadas entre União, Estados e municípios podem, sim, produzir resultados. Mais do que números, trata-se de garantir o direito básico de aprender, condição essencial para qualquer projeto de desenvolvimento social e econômico.
Alfabetizar na idade certa é evitar uma cascata de dificuldades que se acumulam ao longo da vida escolar. Crianças que não aprendem a ler e escrever no tempo adequado tendem a enfrentar obstáculos em todas as disciplinas, ampliando desigualdades e reduzindo oportunidades. Por isso, cada ponto percentual conquistado precisa ser visto como uma vitória coletiva.
Nesse cenário, exemplos locais ajudam a iluminar caminhos. Florianópolis tem se destacado com iniciativas próprias, como programas de avaliação e acompanhamento pedagógico, que vêm mostrando resultados positivos na aprendizagem.
A experiência da capital catarinense reforça uma evidência cada vez mais clara: quando há planejamento, formação de professores e monitoramento constante, os avanços aparecem.
Mesmo que os números sejam positivos, é preciso avançar. Ainda que o país tenha superado a meta, um terço das crianças brasileiras segue fora do nível adequado de alfabetização. Isso significa que milhões ainda não dominam habilidades básicas que deveriam estar consolidadas nos primeiros anos escolares. O desafio, portanto, continua sendo enorme.
Manter o esforço conjunto entre os diferentes níveis de governo será decisivo. A alfabetização exige continuidade, investimento e prioridade política e não pode ser tratada como agenda secundária.
Também demanda olhar atento às desigualdades regionais, que ainda marcam o país. O avanço registrado agora deve ser celebrado, mas, sobretudo, deve servir como impulso. Alfabetizar não é apenas ensinar letras e palavras. É abrir portas, ampliar horizontes e garantir dignidade. E isso não pode esperar.