O Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos, que terminou ontem, em Brasília, contou com a apresentação de estudo inédito que mapeou o retorno econômico para jovens e adultos que não concluíram o ensino na idade ideal, mas que retornaram à escola em turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos). As notícias são bastante promissoras.
Segundo a pesquisa, para quem concluiu as classes de alfabetização, por exemplo, a renda média teve incremento de 16,3% no grupo entre 18 e 60 anos. Para a faixa etária entre 46 anos e 60 anos, o aumento da renda supera os 23%.
Além da renda, a EJA impacta positivamente na ocupação e formalização no mercado de trabalho, aumenta a autoestima e nas oportunidades de crescimento e de assumir novos cargos.
Neste sentido, mais de 500 empresas catarinenses, apoiadas pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), têm proporcionado aos colaboradores a retomada dos estudos: ajustam horários e oferecem toda a estrutura para que frequentem as aulas e concluam os estudos.
O resultado começou a aparecer: pessoas mais felizes, mais preparadas e autoconfiantes, e prontas para seguir novos rumos na carreira dentro das empresas, com o consequente aumento salarial.
Nas últimas décadas, o Brasil ampliou significativamente o acesso à educação formal. A taxa de atendimento entre crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos chegou a 96,7% em 2010, contra 75,5% em 1991. No entanto, as altas taxas de reprovação e evasão – por falta de interesse ou por terem que trabalhar, por exemplo, persistiram.
Dessa forma, parte dos estudantes não termina os estudos na idade esperada ou abandona a escola antes da conclusão do ensino fundamental ou médio. Em 2023, por exemplo, 35% dos brasileiros não haviam concluído o ensino médio até os 20 anos.
A EJA possibilita aos que não concluíram a escola na idade esperada que retomem os estudos e obtenham o diploma de ensino fundamental e médio, em cursos com duração mais rápida do que as classes regulares. A educação abre portas.
Com também proporciona aumento da renda, a formalidade do emprego e melhora a qualidade de vida das pessoas. Contribui também para a produtividade e a redução da pobreza e da desigualdade.
Além dos benefícios para os cidadãos, o EJA impacta no desenvolvimento social e econômico. Por isso, o programa deve se tornar estratégico para gestores e secretários de Educação, assim como está sendo para as empresas.